A esposa do “serial killer” Lázaro Barbosa de Sousa, suspeito de matar 4 pessoas no Distrito Federal e foragido há 12 dias, afirmou ter sido torturada e agredida por policiais que seguem na busca pelo criminoso.
“O policial deu três, quatro tapas no meu rosto. Ele quebrou o rodo da minha tia e ia me bater com o cabo. Eu pensei comigo: ‘Senhor, eu não acho justo eu apanhar com esse cabo de vassoura. O Senhor sabe que eu não sei onde ele está'”, disse, em entrevista ao programa “Domingo Espetacular”, da TV Record.
A mulher disse ainda ter sido ameaçada de morte pelos policiais ao ouvir que seria “afogada” se não fornecesse informações a respeito do paradeiro do Lázaro. “Isso é um abuso, eles não podem bater na gente assim”, completou ela, na entrevista.
Ela também teme ameaças de cidadãos que acreditam que ela tenha informações sobre o marido.
“Muitos estão falando que eu era cúmplice, que eu sabia de tudo, que eu tinha que morrer. Hoje mesmo uma mulher me falou para eu não ficar andando na rua, porque tem muita gente comentando: por que não mata a mulher dele? Corta o pescoço dela para ver se atinge ele, se ele se entrega.”
Procurada pelo “Domingo Espetacular”, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás afirmou que a polícia age de acordo com protocolos, e que as denúncias serão apuradas.
LIDERANÇAS RELIGIOSAS DENUNCIAM TRUCULÊNCIA DA PM
Além dela, lideranças religiosas de matrizes africanas denunciaram truculência da Polícia Militar nas buscas pelo assassino nos terreiros da região do Distrito Federal.
Representantes de terreiros em Águas Lindas e Cocalzinho de Goiás informaram que policiais agiram com violência na busca pelo criminoso mais procurado do Brasil. De acordo com eles, os agentes depredaram altares e apontaram armas por suspeita de que Lázaro pudesse estar em um desses lugares.
Foragido há 13 dias, a caçada por Lázaro mobiliza centenas de agentes de segurança pública.
São 270 policiais que buscam o criminoso em matas, chácaras, fazendas e pontos de bloqueio na BR-070. As buscas ocorrem durante todo o dia e noite, quando as operações ficam mais difíceis pela falta de equipamento e pela dificuldade em lidar com o bioma por parte dos agentes.
As forças policiais que atuam na caçada passaram por um treinamento rural para entrar na corporação. Durante a noite, grupos de seis a oito pessoas se revezam na procura por Lázaro no mato. As equipes só deixam o local depois que não há mais evidências da proximidade do fugitivo.
No entanto, a falta de equipamentos para a empreitada dificulta o trabalho. Somente a Polícia Federal e o Exército têm ferramentas para buscas noturnas, as quais têm sido cedidas para a operação.
Entre os equipamentos usados, estão drones com câmera térmica, farol de busca, luz beacon (para melhor visualização), e alto-falantes para dar alertas.
A câmera térmica é essencial para buscas noturnas, pois aponta diferença de temperatura em ambientes em que a visualização está dificultada, mas não funciona tão bem em áreas de vegetação densa, como é o caso da região em que Lázaro possivelmente se esconde. Helicópteros, que estavam sendo usados nas buscas noturnas, já não são avistados a noite.
Além das buscas na mata, a polícia colocou pontos de bloqueio nos dois sentidos da BR-070 e realiza ronda em chácaras e fazendas no município do Cocalzinho e nos distritos de Girassol e Edilândia, em Goiás, cidades onde Lázaro foi avistado recentemente.
A investigação aponta que esta é a região em que Lázaro se encontra e que ele não conseguiu quebrar o cerco levantado pelas forças de segurança. Não há evidências, portanto, que ele tenha chegado a municípios vizinhos, como Águas Lindas.
A Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) afirmou ontem (20), em nota, que os policiais continuam na busca intensiva. As equipes foram reforçadas com três cães do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO). São eles a cadela Cristal (border collie), Dart (pastor alemão) e Hope (bloodhound).
Cristal, de 6 anos, é a mais experiente e ajudou nas buscas por vítimas da tragédia do desabamento da barragem de Brumadinho (MG). Ao todo, a busca conta com cinco cachorros.
“Nossos cães são treinados para buscar pessoas desaparecidas em ambiente urbano e rural. Também recebem treinamento para buscar cadáveres”, afirma o capitão Higor Mendonça, do Corpo de Bombeiros.
Basicamente são empregadas técnicas de busca de pessoas desaparecidas, onde o alvo a ser buscado emite odores pelo ambiente, o que leva o cão a mudar seu comportamento e ajudar o condutor a encontrar a vítima. A forma do cão indicar que localizou o alvo é latindo”, explica Mendonça.
Melhor amigo de Lázaro Barbosa, conhecido como “Serial Killer do Distrito Federal”, Jorcilei Rosa Sales torce para que o criminoso se entregue às autoridades policiais e acredita ser questão de tempo para isso ocorrer.
“Na hora certa, ele vai a uma delegacia. Vai se entregar sem arma na mão, sem mochila; vai de boa. O tempo de se entregar, quem manda é o cansaço. No dia em que ele estiver exausto, cansado e abatido, vai se entregar, sem precisar usar nenhuma força policial”, afirmou Jorcilei em entrevista ao site Metrópoles.
Jorcilei contou, porém, que Lázaro aprendeu a ter “muita agilidade” na prisão de Brasília, onde foi preso em 2009 por roubo, estupro e porte ilegal de arma de fogo. Em 2014, teve a prisão convertida para o regime semiaberto. “Lázaro tem a força de um leão. A gente brincando, ele me ensinava golpe que aprendeu lá dentro da Papuda.”
Lázaro é acusado de matar quatro pessoas, balear três, invadir chácaras, fazer reféns e atear fogo em uma casa. A PM informou que ele disparou 15 tiros contra policiais militares de Goiás em Cocalzinho.
As informações são do Yahoo.








