RJ: Crise, que crise? Pai do líder do PMDB na Alerj ganha obras dos Jogos Olímpicos sem licitação
O jornal Folha de São Paulo publicou na edição de quinta-feira, 08/07, uma série de artigos mostrando que a crise afligindo o Rio de Janeiro é seletiva, mas muito seletiva. A principal matéria, de autoria dos jornalistas Marco Antonio Martins e Ítalo Nogueira, se refere à entrega das obras de conclusão do Velódromo e do Centro Olímpico para empresas pertencentes ao pai do líder do PMDB na Alerj, André Lazzaroni, e sem necessidade de licitação (Aqui!). Tudo saindo por “módicos” R$ 100 milhões!
É bom sempre lembrar que a presença de empreiteiras ligadas aos familiares de políticos do PMDB não é nenhuma novidade nas turbulências que têm marcado a construção das estruturas que serão usadas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A própria matéria informa que “uma empresa da família do ministro dos Esportes, Leonardo Picciani (PMDB), foi fornecedora de britas para a construção do Parque Olímpico da Barra”, e uma “empresa da família do secretário de Turismo e tesoureiro de campanha de Paes, Antônio Pedro Figueira de Mello, foi a responsável pelo gerenciamento de obras para os Jogos”.
E no segundo caso eu acrescento, a mesma empresa da família de Figueira de Mello foi a que construiu a agora quase defunta “Ciclovia Tim Maia”.
O mais grave é que enquanto os políticos do PMDB enchem suas empresas de dinheiro com obras sem licitação, os serviços públicos são completamente precarizados. E o pior é que a fatura dos Jogos Olímpicos não vai parar após o encerramento do megaevento esportivo. Em outras palavras, a crise seletiva vai continuar ainda por muitos anos.
PORTAL VIU!
Ainda em relação à participação de duas empresas pertencentes ao pai do líder do PMDB na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, André Lazaroni, acabei me lembrando de que no dia 22 de maio, o Portal Viu! havia publicado uma matéria bastante ampla, assinada sobre a relação umbilical entre políticos e empreiteiras (Aqui!).
E pelo que se pode depreender da leitura da matéria do Portal Viu!, o alcance das obras das empresas do pai de André Lazaroni com participação de recursos públicos extrapola os Jogos Olímpicos e o território da cidade do Rio de Janeiro, chegando até no Norte Fluminense.
E ai fica bem claro que a crise é seletiva, muito seletiva!
Por fim, há que se notar que no presente caso, o Portal Viu! deu um furo de reportagem que demorou quase 2 meses para aparecer na mídia corporativa nacional. Isso demonstra que o jornalismo investigativo que anda sufocado na mídia tradicional está encontrando espaços na internet. De quebra, este caso mostra que santo de casa faz milagre sim. E na condição de colaborador do Portal Viu!, só posso desejar que o projeto possa condicionar funcionando de forma a nos fornecer informação de excelente qualidade, como foi a desse caso.










