Tradução é uma atividade criativa que abrange a interpretação do significado de um texto, ou antes, de palavras, grupo de palavras, em uma língua (o texto fonte), e a produção de um novo texto em outra língua, com sentido equivalente. O texto resultante também se chama tradução.
Se vamos trabalhar um texto em língua francesa, com um conteúdo de interesse do grupo, que não conhece a língua Francesa, vamos ter que dar visibilidade ao texto em francês, e o único jeito será fazer o exercício da tradução.
Trata-se de uma atividade de grande importância no mundo globalizado, porque facilita o reconhecimento imparcial dos valores culturais, aproximando, promovendo o intercâmbio de costumes, estimulando a aproximação e a comunicação entre diferentes nações e povos.
A pesquisa acadêmica na área é chamada em português de Estudos da Tradução, e se iniciou no Brasil, com a Pós-Graduação em Estudos da Tradução da Universidade Federal de Santa Catarina.
O tradutor não é um mero conhecedor de dois ou mais idiomas. Não é só isso! Ele deverá conhecer, na intimidade da escrita, o processo da realidade viva das palavras. Há um famoso jogo de palavras em italiano que diz “Traduttore, Traditore” (em português, “Tradutor, traidor”), pois todo tradutor corre o risco de trair o texto original, para conseguir reescrevê-lo na língua desejada.
Um jogo de palavras jocoso, mas que não deixa de revelar uma verdade: pode-se muitas vezes cometer adulterações por motivos variados: o tradutor tem conhecimento insuficiente da língua que está sendo objeto da tradução; também o conhecimento superficial da própria língua é outro empecilho.
Por isso, o tradutor deve ter um bom conhecimento da língua, escrita e falada, da qual ele está traduzindo (o idioma de origem); excelente domínio da língua em que ele está traduzindo (a língua-alvo); familiaridade com o assunto do texto a ser traduzido; profunda compreensão da etimologia e das expressões idiomáticas, correspondentes entre as duas línguas.
CONHECIMENTO PROFUNDO
Em outras palavras, os tradutores devem ser minuciosos quanto à pureza da ideia e de sua conotação, ao passá-la do texto original para a tradução, o que é possível mediante o conhecimento profundo de mecanismos linguísticos específicos.
Entre os tradutores, é geralmente aceito, que as melhores traduções são produzidas por pessoas que estão traduzindo, a partir de sua segunda língua para sua língua nativa, pois é raro alguém ter total fluência na segunda língua.
O Evangelho segundo o Espiritismo, um dos 5 livros da Codificação, escritos por Kardec, inspirado por uma equipe de espíritos que desenvolveu diversos temas sob a luz da Doutrina Espírita. A 1° edição desses livros foi lançada em francês, o que é natural, lá que Kardec era de nacionalidade francesa. A obra precisava ser divulgada e difundida pelo mundo. Ela tinha que ser traduzida para diferentes e importantes línguas do mundo conhecido e civilizado (metade do século XIX).
Para os países lusófonos, como o Brasil, a Codificação fora traduzida para o português, por uma equipe de competentes linguistas e filólogo, sob a supervisão da Federação Espírita Brasileira (FEB). Possuo a 1° edição bilíngue do Evangelho segundo o Espiritismo. Os espíritas, iniciantes e iniciados, já estão afeiçoados com a linguagem na abordagem de temas, com o devido cuidado de não repetir dogmas estranhos ao nosso corpo doutrinário.
Muitas vezes isso tende a ocorrer, por causa da tradução. Ou a tradução está correta, mas uma leitura desatenta e o comentário mais despreocupado ainda, no caso em questão, a expressão Santo Espírito é falada Espírito Santo, o que acaba comprometendo a pureza doutrinária:
… Mais le Consolateurs, qui est le Saint-Espiriti que mon Père enverra en mon mom, vous enseigenra toutes choses et vous fera ressouvenir de tout ce que je vous ai dit … (mas o Consolador que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo que vos tenho dito…)
O adjetivo (Saint) anteposto ao substantivo (Espirit). Devemos sempre dizer SANTO ESPÍRITO. Se dizemos Espírito Santo, estamos nos referindo à terceira pessoa da Trindade, uma expressão comprometida com conteúdo teológico doutrinário, do Catolicismo, com o qual a Doutrina Espírita não compartilha.







