Lava Jato chega ao terreno do linchamento nos noticiários. Prefeitos negam recebimento de dinheiro de empreiteira |
O erro de imprensa é devastador para a honra e tornou-se mais potencializado nesses tempos em que qualquer um pode turbinar notícias depreciativas por meio das redes sociais. Em meio a Operação Lava Jato, mais um ingrediente aumentou a combustão: o vazamento seletivo de informações.
Diálogos editados de grampos telefônicos que ganham os noticiários, listas apreendidas pela Polícia Federal e uma infinidade de instrumentos avassaladores estão ganhando dimensões perturbadoras, principalmente para a classe política, a parte mais visível nas investigações.
No capítulo mais recente deste festival de vazamento, está uma planilha da Odebrecht com cerca de 200 nomes de supostos beneficiários de dinheiro repassado pela empreiteira. Independente da veracidade ou dos equívocos, quem caiu na rede já sofreu o estrago. No mínimo será penalizado pela incredulidade de um povo que tem dificuldades em separar ficção e realidade, ainda mais com a sistematização da informação. Será difícil explicar que no Brasil, ao longo de décadas, 99% das campanhas foram financiadas por doações privadas. Todos os partidos, com raríssimas exceções, e maior parte dos políticos receberam contribuições. Onde não houve doação de partido, no caso dos partidos da esquerda radical, tem dinheiro de sindicatos. Portanto, há um desfile de velhas cafetinas vestidas de madres superioras.
É difícil dimensionar na planilha quem é beneficiário de doação de campanha – conduta que era permitida para empresas até a eleição passada – ou repasse de propina, mas o vazamento irresponsável tratou de jogar todo mundo no mesmo saco. A divulgação nesses termos não favorece a transparência, porque tende a promover uma inquisição. O que seria uma investigação assume o papel de linchamento moral.
Pelo menos dois nomes que constam na lista, o do prefeito de Macaé, Dr. Aluízio (PMDB) e o de Rio das Ostras, Alcebíades Sabino (PSDB), estão em litígio contra a Odebrecht. A empresa acionou a prefeitura de Macaé na Justiça para receber o pagamento de R$ 27 milhões referente ao projeto de macrodrenagem iniciado na gestão passada.
Em Rio das Ostras, Sabino entrou na justiça para suspender o pagamento da Parceria Público Privada para coleta e tratamento de esgoto, contrato celebrado na gestão de Carlos Augusto Balthazar (PSL).
A julgar pela planilha e o noticiário, os prefeitos, mesmo em litígio para não pagar a Odebrecht, estariam recebendo dinheiro. Seria o primeiro caso de uma empresa que paga em dinheiro por não receber, quando, geralmente, se paga em “agradecimento” ou por perspectivas de bons negócios.
Tanto Dr. Aluízio quanto Sabino negaram que tenham recebido repasses diretos da empreiteira. Dr. Aluízio, em vídeo postado em sua página no Facebook, diz que todas as doações de sua campanha foram formalizadas diretamente ao PV, partido pelo qual se elegeu em 2012. Sabino também nega recebimento de dinheiro. Outro que também teve o nome citado na lista e nega repasses fora de doação de campanha é o ex-governador Anthony Garotinho, que se manifestou por meio de nota em seu blog.
A Operação Lava Jato tinha tudo para criar um marco no combate à corrupção, mas foi conduzida pelo descaminho. Perdeu-se na vaidade do juiz Sérgio Moro, na irresponsabilidade de promotores e agentes da PF que se colocaram acima da lei.
O estrago midiático da lista da Odebrecht está feito. Depois da casa arrombada, o juiz Sérgio Moro decretou segredo de justiça sobre os documentos, que continuam disponíveis na internet para quem quiser consultar.








