Já são 13 o número de pré-candidatos à Prefeitura de Campos (RJ) em 2020. As convenções partidárias para definição de candidaturas acontecerão no mês de setembro e se prevalecer o atual número de postulantes, o primeiro turno da eleição majoritária terá a maior fragmentação de votos desde 1988.
Na época, no que era a primeira eleição municipal no pós ditadura militar, o grupo intitulado Muda Campos, oriundo de movimentos populares, sindicatos e grupos teatrais da cidade ganhou as eleições do candidato do então prefeito Zezé Barbosa (PMDB).
O movimento popular era representado e liderado por um jovem deputado estadual, Anthony Garotinho, que posteriormente viria a ser governador do Estado.
Zezé Barbosa lançou a candidatura do secretário de Planejamento Jorge Renato Pereira Pinto. O outro candidato no campo conservador era Rockfeller de Lima (PDS), que não aceitou fazer aliança com Zezé, de quem era adversário histórico.
A divisão do conservadorismo permitiu a vitória de Garotinho no campo popular, porque Jorge Renato e Rockfeller flutuavam no mesmo nicho político e ainda não havia segundo turno. A eleição se definia em turno único.
Nesta mesma eleição de 1988 também foram candidatos o radialista Barbosa Lemos (PTB), o empresário Amaro Gimenes (PL), o advogado Carlos Alberto Redondo (Pasart) e o pastor Ionildo Marins (PSC).
A fragmentação que se repete em 2020 agora pode favorecer o deputado Wladimir Garotinho (PSD), já que o garotismo, além de grupo político coeso, ainda tem maior base sólida no eleitorado popular, nicho que também é disputado pelo grupo do ex-prefeito Arnaldo Vianna, que terá o filho Caio Vianna (PDT) como candidato.
Só que o arnaldismo nos histórico das últimas eleições, desde 2008, vem seguindo uma trajetória decrescente. Perdeu espaço no segmento popular e não conseguiu conquistar a classe média.
Contudo, as 12 pré-candidaturas estão postas no tabuleiro político e os postulantes buscarão votos para governar a maior cidade do Norte Fluminense.
PREFEITO DISPUTARÁ REELEIÇÃO
O atual prefeito Rafael Diniz (Cidadania), que é neto do ex-prefeito Zezé Barbosa, anunciou sua candidatura à reeleição. A convenção do seu partido já está marcada para o próximo sábado (05) para confirmar o seu nome e da vice-prefeita Conceição SantAnna.
Diniz venceu a eleição em 2016 no primeiro turno, só que encontrou uma conjuntura econômica desfavorável, adotando um duro ajuste administrativo ao assumir o mandato. Alguns programas sociais foram cortados, provocando desgaste nas camadas populares, onde o garotismo voltou a se fortalecer.
É nesta conjuntura que Wladimir Garotinho está surfando e escolheu como vice de sua chapa, o engenheiro agrônomo Frederico Paes (MDB).
Paes comanda o Hospital dos Plantadores de Cana e a Usina Sapucaia. É um nome com boa inserção na classe médica, no meio empresarial e entre produtores rurais, o que amplia a base do garotismo para a classe média.
A ampliação da base somada ao bom desempenho do mandato parlamentar de Wladimir poderá potencializar a expansão para da candidatura no sentido de conquistar outros segmentos, fato que aconteceu em 1988, quando Garotinho escolheu como seu vice o médico Adilson Sarmet e em 2008, quando Rosinha teve inicialmente como vice o médico Paulo Hirano, que no decorrer do processo de escolha foi substituído pelo médico Dr. Chicão.
O PSD e MDB ainda não marcaram a data da convenção para oficializar as chapa.
LAÇOS DE FAMÍLIA
A candidatura de Caio Vianna é uma retomada dos laços políticos com o pai Arnaldo. Eles protagonizaram momentos conturbados na eleição de 2016, quando Caio foi candidato à Prefeito e o pai apoiou Geraldo Pudim (MDB).
Depois de 2016, ele foi candidato a deputado Federal em 2018, mas não conseguiu se eleger. Agora, novamente, tentará o seu primeiro mandato eletivo e deverá ter como vice o desembargador aposentado José Motta Filho.
O PSOL e UP confirmarão a candidatura da assistente social e professora Natália Soares. Ela terá como vice a designer Bruna Machel. Os dois partidos formarão uma frente de esquerda.
O PT vai confirmar o nome da professora e sindicalista Odisseia Carvalho. Já o PCdoB pretende lançar o ex-deputado Roberto Henriques.
A ala bolsonarista na cidade vai se dividir entre as candidaturas do jornalista e apresentador do programa Balanço Geral na TV Record, Alexandre Tadeu, o Tô Contigo (Republicanos), e do ex-comandante do 8º BPM, major Fabiano de Souza.
Um outro ex-comandante do 8º BPM estrá na disputa: será o tenente-coronel Ramiro Campos. Ele será vice na chapa de Tô Contigo.
Já o PSDB local ainda trabalha com a hipótese de candidatura própria. O pré-candidato é o funcionário da Petrobras Leslie Beethoven.
A família Bacellar também tem um candidato para chamar de seu. O Solidariedade irá lançar o médico Bruno Calil para prefeito e seu vice será o ex-deputado federal, pastor Eber Silva (DEM).
O cantor e compositor João Damásio colocou o seu nome na disputa, ele está filiado ao Rede Sustentabilidade e espera a confirmação na convenção partidária. A mesma vaga é disputada pelo professor de matemática José Maria.
Já o empresário no ramo funerário, Claudio Rangel, é pré-candidato pelo PMN.
O fato relevante nesta disputa é o que o número de candidatos à Prefeitura é elevado, mesmo com a Prefeitura em crise e com projeções pessimistas para a economia local para os próximos anos. Pelo PMB o pré-candidato é Jonathan Paes, que terá como vice o médico Constantino Ferreira.
A linha do tempo mostra que desde 1988 até a eleição de 2000, o grupo gorotismo elegeu os prefeitos até a disputa do ano 2000: Sérgio Mendes em 1992, e posteriormente Arnaldo Vianna. Ambos romperam com o líder político para tentar carreira solo. Após o rompimento de Vianna, o grupo só viria a retomar a Prefeitura em 2008, com Rosinha Garotinho, que não elegeu sucessor.
A eleição de 2016 foi decida pela judicialização do processo eleitoral, que provocou a derrota do grupo político, mas também provocou sérios desgaste para setores da Polícia Federal, Ministério Público e Justiça Eleitoral, repercutindo nas Cortes em Brasília e também no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Em decorrência de fatores desencadeados pelo processo eleitoral de 2016, um juiz local está com as atividades suspensas pelo CNJ.








