A civilização ocidental se garantiu com a manifestação da grandeza de espíritos missionários, que reivindicaram por missão, a difícil tarefa de dar a conhecer ao homem o potencial de sua racionalidade e de seus decorrentes benefícios, em forma do diálogo, das grandes descobertas, principalmente no âmbito da ciência e tecnologia, no intercâmbio com outras importantes áreas do conhecimento – estética, ética, religião, moral, educação – para ficarmos no elenco de algumas áreas humanas, flutuando tudo no leito profundo da Filosofia.
O filósofo Descartes é categórico ao afirmar que cada nação é tanto mais civilizada quanto mais os homens filosofam; e o maior bem para o Estado é ter autênticos filósofos.
A filosofia tem sua origem a partir da herança pré-socrática, a maneira como nos primórdios do filosofar expressavam seu pensamento sobre o mundo e o ser é marcadamente diferenciada da tradição inaugurada por Sócrates.
E com isso, elaboram a aprendizagem do ser por meio das ideias, no entendimento de Platão. A palavra Ideia é o visual ou forma que a coisa toma quando se apresenta. O visual das coisas que se apresentam e veem ao nosso encontro é o aspecto, o eīdos. Em outros termos, tudo o que se apresenta e se propõe está diante de nós, é uma forma visível.
Isso porque o perceptível do ser está num aspecto, quer dizer, numa forma. O aspecto, ou a forma visível do ser constitui a sua ideia. Por conseguinte, na ideia, o ser se faz presente e se mostra. Assim é que o sistema filosófico platônico está na referência incondicional no discurso das ideias. Discurso que mostra as formas ou os aspectos através dos quais o ser se revela.
Mas e a convivência com a realidade, que é uma constante oferenda, que nos assedia o tempo todo? O homem se encaverna! Afasta-se dos ideais verdadeiros, ou dos aspectos reais, para morar na caverna de suas próprias opiniões e preconceitos, que Platão chama de dóxa, ao contrário do verdadeiro saber que ele chama epistéme.
A Alegoria da Caverna representa, por certo, o primeiro ensaio de crítica do mundo de nossa cotidianidade, que nos parece tremendamente falso. Mas estará o homem totalmente perdido no falso, vagueando irremediavelmente nas sombras? O que permanece de verdadeiro de nossa cotidianidade?
A capacidade do homem de buscar; persiste como verdadeira sua força de perceber o falso. Esta força lhe vem do pensamento, astro de luz, que intui o ainda não conhecido mundo superior, que, de forma insidiosa e traiçoeira atua nas sombras da Caverna. (BUZZIR, R. Introdução ao pensar- a comunhão do mundo espiritual).
Platão, como insigne pedagogo, desenvolve um sistema de ensino-aprendizagem, de forma que seus discípulos aprendam a sair do mundo das opiniões e do falso, saber que se pode chegar ao verdadeiro saber, ou seja, para as formas inteligíveis = IDEIAS, que são o conhecimento verdadeiro.
A partir de Sócrates, aprendemos a conhecer por IDEIAS. No, desenrolar desse processo ensino-aprendizagem, Platão se tornou o Mestre do Ocidente.
Depois dele, o método de conhecer se concentrou na aprendizagem das ideias (dos seres e coisas que habitam o mundo espiritual, usando da terminologia espírita). A Filosofia é, a seu modo, um teatro: as IDEIAS são protagonistas familiares que representam o SER que, embora se dando na intimidade de nosso uso, é sempre presença esquiva, estranha e distante. Para conservá-lo junto a nós, recorremos às IDEIAS.
O imaginário popular, desde priscas eras, desenvolveu a realidade fantástica, reforçando na humanidade o vislumbre da possibilidade de um mundo, para além de seus olhos e sentidos. Toda a cultura, toda a civilização, sem exceção, estiveram cara a cara com esse além do mundo físico. As mitologias dos povos primitivos comprovam essa evidência.
O Antigo e o Novo Testamentos não poupam exemplos de manifestações mediúnicas, que teriam sido em número muito maior, não tivesse sido decretada sua proibição por Moisés. Castas Sacerdotais, pitonisas, deuses e deusas se incumbiam desse intercâmbio entre o mundo material, imanente, e o mundo espiritual, transcendente.
Sem contar o Cristo, o médium dos médiuns. Juntamente com Ele, uma legião de médiuns produziam fenômenos psíquicos que desafiavam as leis da natureza.
Meados do século XIX testemunharam uma quantidade significativa de fenômenos mediúnicos, como preparação para estudos de caráter científico e experimental, com a intenção de verificar sua veracidade ou às tentativas de fraude. Esses médiuns não se desvinculavam do Cristianismo, Consolador Prometido por Jesus, mas se punham sob a liderança de Kardec, que organizou todo o material produzido pelos espíritos, via mediúnica, sistematizando-o nos 5 livros-base da Doutrina Espírita, em seus aspectos moral, científico e filosófico. Kardec passa a ser o divulgador por excelência da doutrina dos espíritos (sua pré-existência, sua inevitável reencarnação, falência dos órgãos físicos e a prevalência do ciclo da vida).
Foram tempos difíceis de divulgação desses postulados entre as mentalidades intelectual e medianas, devido à atitude preconceituosa da época, em pleno apogeu da dogmática Católica, Apostólica e Romana.
Mas nada impedia que médiuns aparecessem em vários pontos do país e do mundo, prodigalizando fenômenos mediúnicos nas diversas modalidades
9 FENÔMENOS MEDIÚNICOS
1- Médiuns sensitivos;
2- Médiuns com efeito físico;
3- Médiuns clarividentes ou videntes;
4- Médiuns audientes;
5- Médiuns da cura;
6- Médiuns psicofônicos;
7- Médiuns psicógrafos e suas variações;
8- Médiuns inspirados;
9- Xenoglossia ou glossalalia.








