O presidente Jair Bolsonaro, o vice-presidente Hamilton Mourão e o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, tentam intimidar os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) falando em nome das Forças Armadas.
Mas a conduta é reprovada por setores da cúpula militar da ativa e pelos ministros do STF, segundo informa reportagem da Folha de São Paulo.
O fato de Bolsonaro ser um ex-capitão do Exército, assim como Mourão e Barros serem generais da reserva, não necessariamente os credencia a falar em nome das Forças as Armadas, ainda que eles tentem passar esta imagem.
O ato intimidatório mais recente é uma nota assinada em conjunto, onde Bolsonaro, Mourão e Fernando Azevedo dizem que as Forças Armadas não cumprirão “ordens absurdas”.
O texto, segundo a Folha foi elaborado na noite de sexta-feira (12), após o ministro Luiz Fux conceder uma decisão provisória, em ação proposta pelo PDT, delimitando a interpretação do artigo 142 da Constituição, que regula o emprego dos militares.
Na decisão, Fux diz que a constituição não prevê atuação das Forças Armadas como poder moderador.
Por outro lado, a mesma nota divulgada pelo governo diz que as Forças Armadas não tolerariam “julgamentos políticos”, uma referência à ação de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão que será julgada no TSE.
A reportagem da Folha conversou com oficiais do Exército, Marinha e da Aeronáutica e diz que o conteúdo foi reprovado por setores da cúpula das três forças militares.
Confira trecho da reportagem assinada por Igor Gielow:
Para um almirante, a nota coloca as Forças Armadas como um poder moderador acima da lei. Ele disse que é óbvio que os militares têm de responder a decisões e que, se não concordarem, sempre caberá recurso dentro da Constituição.
Em grupos de WhatsApp de oficiais, a crítica mais comum era a de que as Forças foram colocadas como uma extensão do bolsonarismo militante, que tem no confronto com Poderes uma de suas características.
Já havia grande irritação pela entrevista que o general Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) havia concedido à revista Veja, no qual ele falou em tom ameaçador contra a oposição ao mesmo tempo em que se apresentava como representante das Forças.
Ramos, já no centro de insatisfações quando foi cogitado por Bolsonaro para substituir o comandante Edson Pujol, ao mesmo tempo cedeu a pressões e decidiu passar à reserva —irá deixar o interino da Saúde, Eduardo Pazuello, como último general da ativa com cargo de primeiro escalão.








