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Relatório da Fiocruz evidencia que Bolsonaro agravou crise pandêmica

Não haverá saída: o Brasil terá que punir o presidente que associou-se ao patógeno pandêmico com apoio dos oficiais da reserva

Roberto Barbosa Por Roberto Barbosa
28/05/2020 - 13:04
em Opinião
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Jair Bolsonaro

Bolsonaro durante manifestação | Foto: Reprodução

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O presidente Jair Bolsonaro e seus generais de pijama ainda não se deram conta da narrativa que enfrentam agora que e se acentuarão no futuro, no pós-exercício do poder. 

Diante das estatísticas de pessoas infectadas com Covid-19 e óbitos consumados no país desde a eclosão desta pandemia, dificilmente escaparão de futuras Comissões da Verdade encarregadas de apurar responsabilidades. 

Segundo dados do Ministério da Saúde, até esta quarta-feira (27), o Brasil já tinha registrado um total de 25.598 óbitos por Covid-19 e 411.821 casos de pacientes com testagem positiva da doença. 

Dados da Universidade Johns Hopkins (EUA) destacam que Brasil é o segundo país com mais casos. 

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“Em números absolutos, fica atrás apenas dos Estados Unidos, que têm 1,6 milhão de casos e que nesta quarta-feira atingiram a marca tétrica de 100 mil mortes”, afirma reportagem da Folha de São Paulo. 

Inevitavelmente, as autoridades que cooperaram para esta tragédia por ação direta, indireta ou por omissão, responderão por crimes de responsabilidade a serem apurados no presente ou no futuro. 

Evidências não faltam, pois relatórios técnicos já apontam ações diretas de Bolsonaro e auxiliares como responsáveis pelo aumento nos casos de Covid-19, que elevaram o Brasil ao patamar de epicentro mundial da doença. 

Como peça desta evidência, chama atenção o relatório técnico e sumário elaborado pelo Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde (CEPEDES), da Fiocruz (A gestão de Riscos e Governança na Pandemia por Covid-19 no Brasil). 

Na análise de ações governamentais, incluindo decretos estaduais no primeiro mês da pandemia, o relatório evidencia não só a falta de “governança de risco” e “gestão prospectivas do risco” em nível federal, como também o comportamento de risco do presidente da República. 

“Mensagens contraditórias ou inaplicáveis por parte da Presidência da República resultam na ampliação de riscos e impactos. Por um lado, resultam em um enfrentamento parcial ou incompleto da pandemia, interferindo negativamente e atrasando o impacto das medidas de distanciamento social que podem salvar vidas”, diz um trecho do documento, que continua: 

“Por outro, refletem uma disputa política em que uma grave crise sanitária pode ser sobreposta por uma crise política, prolongando e ampliando os impactos negativos da pandemia por Covid-19”. 

O documento é ainda mais incisivo quando relata a falta de medidas mitigadoras no campo social, que impediu o isolamento social da população de baixa renda. Cita a guerra de informação nas redes sociais, com notícias enganosas, ambíguas e falsas “com consequências negativas para a saúde pública”. 

Nesta quarta-feira (27), com base em inquéritos que investigam uma rede de fake news, o Supremo Tribunal Federal (STF) deflagrou uma operação contra suspeitos de formarem um núcleo financeiro e parlamentar de apoio a uma rede de “infodemia”, que também se notabilizou nesta campanha de desinformação.  

Todos os suspeitos, de forma inequívoca, são alinhados aos governo. Em outra frente, atuavam com ataques contra ministros da Suprema Corte e demais autoridades. É outro agravante que colado no governo feito tatuagem, pois sobram suspeitas de que o gabinete de ódio coordenado por Carlos Bolsonaro, filho do presidente, está envolvido até a medula. 

Não há como negar: Bolsonaro foi um agente de propagação do novo coronavírus, ao estimular a desobediência às normas de proteção, ao iniciar perseguições sistemáticas contra governadores que seguiram as recomendações de organismos internacionais na adoção de medidas protetivas e incitar seguidores à desobediência. 

Foi no mínimo irresponsável ao propagar o uso de medicamentos temerários, como a cloroquina, dispensada dos testes da Organização Mundial de Saúde (OMS), em função dos riscos comprovados aos pacientes. 

Foram atos de extrema gravidade, porque fica patente que o governo chegou ao ápice da loucura, associando-se ao patógeno pandêmico em nome de uma ideologia fundamentada em birra política.  

Impressiona constatar que generais de pijama tenham arrastado a imagem do Exército para esta loucura, conspurcando uma instituição que na linha do tempo tinha conseguido se distanciar, diante da opinião pública, dos crimes praticados em duas décadas de ditadura.  

As instituições democráticas, no futuro, terão a missão não apenas de apurar responsabilidades, mas também de cobrar punição sem qualquer concessão de anistia. Ao contrário do pós-ditadura militar, o país, desta vez, não poderá evitar um ajuste de contas. 

Tags: #Generais#JairBolsonaro#Pandemia#VerdadeComissãoCrimes
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