Há um descompasso entre o que o presidente Jair Bolsonaro fala e insinua sobre apoio das Forças Armadas e o que efetivamente o comando das Forças Armadas pensa sobre as aventuras do mandatário em desacordo com a liturgia do cargo.
Nesta segunda-feira (04), o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, divulgou uma nota afirmando que as Forças Armadas defendem a independência entre Poderes e consideram agressão a jornalistas inaceitável.
Essas declarações vem a público um dia depois de Jair Bolsonaro participar de um ato pró-golpe, com cerca de 3 mil pessoas, no Palácio do Planalto, neste domingo (03), quando reiterou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Neste mesmo ato, partidários do presidente agrediram uma equipe de jornalistas do Estadão, fato que ensejou críticas de ministros do STF, parlamentares e organizações da sociedade civil organizada.
Durante o ato público, o presidente gravou uma Live, em que afirmou estar junto com as Forças Armadas “ao lado do povo”, dando a entender que tinha apoio dos militares e ao mesmo tempo divulgando recados intimidatórios.
“As Forças Armadas cumprem a sua missão Constitucional. Marinha, Exército e Força Aérea são organismos de Estado, que consideram a independência e a harmonia entre os Poderes imprescindíveis para a governabilidade do País”, destaca a nota de Azevedo e Silva.
Sobre o incidente com jornalistas, na mesma nota o ministro da Defesa afirma que a liberdade de expressão é “requisito fundamental” em um país democrático. Ele enfatiza que, “no entanto, qualquer agressão a profissionais de imprensa é inaceitável”.
“As Forças Armadas estarão sempre ao lado da lei, da ordem, da democracia e da liberdade. Este é o nosso compromisso”, diz o trecho final da nota.








