O Coronavírus no Brasil começou na pedra, atingindo ricos e pessoas de classe média com poder aquisitivo para viajar. Ao chegar ao país com sistema de saúde precarizado e encontrar um presidente da República contrário as medidas de prevenção, o vírus conquistou territórios, alcançando a periferia.
Agora o novo coronavírus ameaça provocar um número de mortes sem precedentes entre pessoas pobres, que não dispõe de testes suficientes e atendimento adequado na área de saúde.
Um grande exemplo de periferização da doença, está na Rocinha, maior favela da América Latina, localizada na zona sul do Rio de Janeiro. Na comunidade, uma ONG disponibiliza testes gratuitos para a população.
A iniciativa que faz parte do projeto “Favela sem corona”, tenta detectar o novo coronavírus e ampliar a medição da propagação da doença entre 100 mil moradores, segundo destaca uma reportagem da agência francesa AFP.
Criado pelo estudante de administração e ex-morador Pedro Berto, de 29 anos, o projeto é financiado com captação de recursos pela internet, o que permitiu a compra de centenas de testes sorológicos e rápidos.
Para ser testado, o morador precisa procurar um clínica particular da favela e fazer um exame de sangue, com resultado sendo liberado no prazo de 24 horas.
Em caso de resultado positivo para a COVID-1 e, o paciente apresentar sintomas leves, faz quarentena domiciliar. Mas se apresentar sintomas mais acentuados, é orientado a procurar um centro de saúde.
Em entrevista à AFP, o diretor da clínica, Tiago Vieira Koch avalia que há riscos de expansão da doença na Rocinha, porque os testes com moradores tem dado de 40% a 50% de positivo.
Além da falta de testes, as condições de vida na comunidade é um ambiente que propicia a contaminação. São ruas estreitas, residências precárias, próximas umas das outras e geralmente com dois cômodos para as famílias, o que dificulta o isolamento social e o distanciamento necessário.
“O governo só vai testar quem está realmente muito mal. Se você testa só quem está muito mal, você não consegue monitorar o vírus, não consegue criar estratégias realmente efetivas” para conter o avanço da COVID-19, explica Pedro Berto, criador do projeto Favela sem corona” à reportagem da agência de notícias.
O balanço oficial mais recente registrou 36 casos confirmados e três mortes na comunidade.
Sob o ponto de vista econômica, a reportagem da agência francesa também destaca que a quarentena é um problema adicional para muitos moradores que dependem da atividade informal para manter o sustento. Ficando em casa e sem clientes nas ruas, muitas pessoas estão perdendo a renda.
Além da Rocinha, o projeto “Favela sem corona” prevê o envio de testes para outras comunidades carentes do Rio de Janeiro.
O Brasil, segundo a AFP, é um dos países que menos fazem exames de diagnóstico para a COVID-19, com apenas 296 pessoas testadas por milhão de habitantes, número insignificante em comparação com os da Alemanha (20.629) ou da França (5.114), por exemplo.
“Por este motivo, há uma subnotificação dos casos confirmados, afirmam especialistas, segundo os quais o número real de contágios pode ser 15 vezes maior que o oficial”, diz a reportagem da AFP.








