O monitoramento externo com uso de tecnologia de informação é uma arma contra manipulação ou omissão de dados oficiais da pandemia do coronavírus.
Usando recursos de Machine Learning, o engenheiro de computação Christian Perone fez um trabalho cruzando dados do Ministério da Saúde, Cartórios e Fiocruz sobre mortes, internações, casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e de Covid-19, desde que a pandemia do Coronavírus chegou oficialmente ao Brasil, em março deste ano.
Os números impressionam, apontando uma evolução da doença, aumento no número de internações, fazendo projeções de maior demanda de atendimento na rede pública e apontando defasagem no processo de notificação.
Os números apontam que há subnotificações e abrem caminho para uma investigação mais detalhada sobre mortes registradas em cartórios no período e as mortes relatadas pelo Ministério da Saúde, conforme ilustram os gráficos.
“Se eles se perdem não há como dizer, o que há é uma defasagem natural devido ao tempo de testagem, notificação e inclusão (de números) no sistema do Ministério da Saúde, que não tem sido muito célere no manuseio desses dados”, explica o engenheiro por meio de resposta em sua página no Twitter.
Nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, que tem o maior número de casos de Covid-19 registrados no Brasil, por exemplo, o número de mortes registradas em cartório é maior do que o número de mortes relatadas pelo Ministério da Saúde.
O mesmo não acontece em Estados como Amazonas, Ceará, Pernambuco e Santa Catarina, Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraná e Pará. Nessas regiões o maior número de mortes neste período é relatado pelo Ministério da Saúde.
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