Depois do recesso de final de ano, o Congresso Nacional voltou ao trabalho nesta segunda-feira (03) e o que se prevê pelo caminho é um grau de dificuldade maior na relação entre governo Bolsonaro e o Congresso.
Entrevistado pela agência Sputnik, o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Cláudio Couto, avalia que o grau de complexidade nesta relação tende a ser pior do que foi em 2019.
“O primeiro ano é, sempre para qualquer governo, aquele ano da chamada ‘lua de mel’. O período em que é mais fácil se relacionar com o Congresso, obter a aprovação de políticas”, disse.
Confira 6 prioridades legislativas listada pelo presidente Jair Bolsonaro que já estão em tramitação no Parlamento:
Independência do Banco Central
Reforma tributária,
Privatização da Eletrobras
Novo marco legal no saneamento
Propostas de emenda constitucional do pacto federativo
Fundos públicos e emergencial.
SEM PARTIDO, SEM LÍDER E SEM RUMO
Para a cientista política e pesquisadora sênior do Centro de Estudos Estratégicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Sônia Fleury, a tramitação e aprovação dessas medidas deixará o governo mais dependente do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
“O que a gente pode ver é uma proeminência muito grande do Rodrigo Maia diante da incapacidade do governo de ter uma liderança efetiva do Congresso. Eu imagino que isso vá continuar neste ano porque ele tem uma base sólida no Congresso e tem dado as cartas. Quando as duas agendas coincidem, a do Rodrigo Maia, que é um liberal, com as posições do governo na área econômica, as coisas tem uma sinergia”, destacou.
Sônia Fleury enfatiza que o estilo de Bolsonaro de não negociar com as bancadas do Congresso dificulta ainda mais as coisas.
“O estilo do presidente é um estilo muito errático e sem negociações. Se ele tivesse um partido político já definido e um candidato nas eleições municipais, talvez [a relação melhorasse], mas como isso também é pendente, eu não acredito que ele vá ter nenhum relacionamento mais amigável com o Congresso” analisa.
Cláudio Couto também chamou atenção para as eleições municipais de outubro deste ano e disse que o primeiro semestre será “decisivo”. O que se prevê é uma ausência maior dos parlamentares, que estarão mais focados nas eleições em suas respectivas bases eleitorais.
“A gente tem um ano no ponto de vista mais curto do ponto de vista congressual porque temos eleições municipais, os parlamentares se envolvem muito fortemente nelas, consequentemente as coisas andam mais devagar no segundo semestre. O primeiro semestre é o momento crucial para que coisas importantes sejam votadas”, comentou.
Couto lembra que a falta de negociação do presidente Bolsonaro junto com as eleições municipais fazem também com que os parlamentares não tenham incentivos para aprovar medidas que façam com eles percam popularidade.
“Como é também um governo que optou por não construir uma coalizão no Legislativo, os incentivos que os parlamentares têm para votar em algo que lhe sacrifica, que custa um pouco da sua popularidade, em prol do governo que eles eventualmente apoiariam, não está presente. Porque na verdade não é um governo que tem um apoio formal no Congresso”, disse.








