No ano de 2004, a CIA publicou um relatório desenhando diferentes cenários para o mundo em 2020.
Em uma das projeções previra que uma pandemia como o vírus da gripe espanhola, que matou 20 milhões de pessoas no mundo entre 1918 e 1919, seria um dos fatores com potencial para desacelerar a globalização.
Naquele mesmo ano, alguns especialistas preconizavam que o surgimento de uma nova pandemia em megacidades com sistemas de saúde precários seria uma questão de tempo.
Mas o lado bom, conforme destaca relatório, é o mecanismo de controle internacional, capaz de conter a proliferação de doenças.
O coronavírus que já matou 80 pessoas na China, com diagnósticos em países como EUA e Canadá, desafiando a vigilância sanitária mundial. Já começa a afetar os mercados, com oscilação nas bolsas de valores e fluxo de pessoas, obrigando a China a prolongar feriados, para evitar grandes aglomerações, o que seria um vetor de contaminação.
Agora a globalização não está apenas diante de um obstáculo. Também tem pelo caminho a guerra comercial e os efeitos climáticos, a primeira retraindo negócios e a segunda destruindo cidades. São dois eventos também previstos no mesmo relatório.
A única coisa que as projeções não alcançaram foi o retrocesso civilizatório com o retorno de modelos totalitários em países, em tese, democráticos, como os EUA e o Brasil, na América Latina.
A CIA não antecipou, por exemplo, que os norte-americanos seriam capazes de eleger Donald Trump, uma coisa inominável que ameaça a paz mundial, como jamais mencionou que um deputado do baixo clero brasileiro, histriônico, com fortes sinais de desajuste mental, poderia chegar ao poder no maior país da América Latina por meio de uma eleição direta.
O mundo em 2020 está literalmente regido por tempos estranhos, em que alguns acontecimentos estão previstos, outros figurando como acidentes de percurso.








