Com o Romantismo, acabou o ciclo da poesia épica na cultura ocidental. A épica consistia no relato de grandes façanhas, por homens quase sobrenaturais, dando a ser o romance, o gênero narrativo, por excelência, mais adequado para expressar os anseios da nova classe social, a burguesia.
Antes, os conflitos se davam entre os deuses entre si, ou entre deuses e humanos. O poder de Agamenon; o poder supremo de Júpiter; a rivalidade das deusas Juno e Minerva, com relação a Vênus, e a força inelutável do Destino (→Fado).
Tais cantos, referentes ao chamado “ciclo troiano”, no século VIII a.C., quando o dialeto iônico começou a ser escrito, encontraram um poeta, chamado de rapsodo (costureiro), Homero que, segundo a tradição, os enfeitou, nos dois poemas chegados até nós, “A Ilíada” e “A Odisseia”, que vão exaltar a nacionalidade grega contribuindo para a sua edificação.
BAIXA IDADE MÉDIA
Coisa semelhante aconteceu na Europa, na Baixa Idade Média, nos alvores das civilizações nacionais modernas. Ao redor do século XI, quando vários povos chegaram à independência linguística, pela formação de idiomas nacionais, derivados da antiga língua latina, não mais falada, escritores anônimos criaram poemas épicos recolhendo os fatos gloriosos de sua terra, transmitidos pela tradição oral.
Destacamos na Alemanha, as lendas surgidas ao redor da invasão da Burgúndia por Átila, rei dos hunos, deram origem ao poema Os Nibelungos; na Espanha, a luta entre cristãos e muçulmanos motivou El Cantar de mio Cid; na França, a guerra de Carlos Magno contra os mouros foi o motivo de La Chanson de Roland. Este último poema pertence às chamadas canções de gesta. Gesta, palavra latina que significa ação ilustre, que tem quase o mesmo sentido de épico.
Mas devemos distinguir a poesia épica primitiva do poema épico reflexo. A forma primeira está nas origens das nacionalidades, ainda na fase da cultura arcaica e oral, quando a grande massa popular valorizava apenas as narrações míticas e lendárias, que a imaginação coletiva foi criando, a partir de um acontecimento histórico.
CICLO TROIANO
Tais cantos heroicos e históricos, referentes ao chamado “ciclo troiano”, no século VIII a.C., quando o dialeto iônico começou a ser escrito, foram recolhidos por um poeta, também chamado de rapsodo (costureiro), é ele Homero que, segundo a tradição, escreveu sobre esses contos heroicos populares, agrupados em dois poemas, que chegaram até nós: A Ilíada e A Odisseia.
A epopeia reflexa é distinta da epopeia primitiva, e seu maior representante foi um poeta, historicamente conhecido que, vivendo no apogeu político e cultural de sua nacionalidade, a Itália, teve a intenção explícita de exaltar os fatos gloriosos de seu povo. Dois grandes exemplos de exaltação nacionalidades:
a Eneida, de autoria de Virgílio, escrita na Itália, sob o Principado de Octávio César Augusto, com o fim de estabelecer uma conexão entre a civilização troiana e a latina, através da figura lendária de Eneias, ascendente semidivino da família Júlia;
Os Lusíadas, de autoria de Camões, de Portugal, escreveu na época da Renascença, para exaltar o ciclo das grandes navegações portuguesas, especialmente a contribuição de Portugal, no início da Revolução Comercial, provocada pelo deslocamento do eixo do comércio do Mediterrâneo para o Oceano Atlântico.
Essas e outras epopéias são chamadas reflexas, porque ou imitam poemas preexistentes (Camões imitou Virgílio, que imitou Homero), ou porque não se acredita ingenuamente nos fatos narrados: eles são submetidos ao crivo da reflexão.
A existência dos poemas épicos não mais corresponderiam aos novos tempos, que sugiram nos albores desse movimento artístico, político e filosófico, que surgiu nas últimas décadas do século XVIII, na Europa, o Romantismo, e que se sustentou por grande parte do século XIX.
Uma visão de mundo centrada no indivíduo, contrariamente ao que se via na épica, quando o que importava era o coletivo, mesmo que se destacasse individualmente o figura do herói que era, em si, um representante das nacionalidades.
O Romantismo, ao contrário, era a expressão do lirismo, das individualidades em si, de um voltar-se a si mesmo.
Em algumas localidades interioranas, ainda que não produzam narrativas épicas, aos moldes da epopeia primitiva ou reflexa, como na Idade Média e, principalmente, no Renascimento, mas a essência do épico, de certa forma, existe, por exemplo, no Jongo, quando sua dança e seu jingado representam uma luta contra os senhores de escravos, uma luta não declarada, mas estratégica, simbólica e eficiente, no confronto com os senhores de escravos.
Outras festas populares se estruturam na base de um conflito, subjacente, não declarado, não tão visível para o público, e que os faz se divertem, sem desconfiar do enredo que comanda os movimentos na dança ou na simulação de combates. Assim é a Cavalhada de Santo Amaro, uma das figuras mais cultuadas do cristianismo, tanto no catolicismo, como de várias outras religiões cristãs.
DEVOÇÃO NA CAVALHADA
Nas Cavalhadas de Santo Amaro, a devoção ao santo se manifesta nas batalhas, que faz parte do calendário festivo popular. A Cavalhada se desenvolve a partir da entrada em campo de cavaleiros, uns vestidos de azul, outros vestidos de vermelho.
A cor vermelha significa paixão, energia, é uma cor quente. Está associada ao poder, à guerra, ao perigo e à violência. É a cor do elemento fogo, do sangue e do coração humano. Simboliza a chama que mantém vivo o desejo, e a excitação sexual, e representa os sentimentos de amor e paixão.No contexto religioso, o vermelho é a cor da carne, do pecado, do diabo, da tentação, é a cor que provoca a paixão carnal e o desejo. Na política, a cor vermelha está associada ao espírito revolucionário.
Já a cor azul está relacionada com a nobreza e costuma ser usada para transmitir harmonia, tranquilidade e serenidade, associada à espiritualidade, mistério, misticismo.
Os cavaleiros azuis e os cavaleiros encarnados se posicionam frente a frente, claro sinal para o início do combate contra os infiéis, os mouros. Os cristãos fiéis têm a missão de exterminar os mouros infiéis.
Essa luta atravessa séculos e milênios e, na atualidade, vemos expostas nos noticiários televisivos, as investidas de cristãos contra países árabes de religião islamita, ao mesmo tempo que há o revide dessas nações contra os cristãos.
Na vida real, não se deve falar de vencedores e perdedores. Ainda é cedo. No entanto, na épica Cavalhada, o roteiro já está escrito, com base no passado remoto, e a vitória será dos cristão fiéis.








