Em 2014, no governo Rosinha Garotinho, o Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam), órgão de fomento à instalação de indústrias no município do Norte Fluminense, chegou a ter um patrimônio líquido de R$ 205 milhões. Já no ano de 2015, ainda no governo Rosinha, este patrimônio caiu para R$ 158 milhões.
Os montantes foram provenientes do retorno dos financiamentos empreendidos pelo Fundo desde a sua criação, no inícios dos anos 2000, no governo Arnaldo Vianna.
No período os aportes financiaram a instalação de uma indústria de medicamento indiana, uma filial da Schulz (empresa especializada na fabricação de tubos para indústria do petróleo), duas usinas sucroalcooleiras (Coagro e Canabrava), fábrica de massas na Baixada Campista, fábrica de cerveja artesanal e outros empreendimentos.
Como a clientela do Fundecam tem uma carência de 5 anos para iniciar o pagamento das parcelas do financiamento, o dinheiro começou a chegar em maior quantidade como patrimônio líquido em 2014 e 2015, conforme demonstram documentos que a reportagem do Portal VIU! teve acesso.
SEIS ANOS E MEIO
No ano de 2008, seis anos e meio após a criação e inicio do vencimento das primeiras parcelas de financiamentos, o Fundecam já apresentava o último balanço da administração Arnaldo Vianna.
As projeções de arrecadação eram de R$ 35 milhões. A arrecadação, no entanto, ficou em R$ 29 milhões e a inadimplência em R$ 9 milhões.
Mas diante de um desempenho financeiro, com impacto positivo na economia e no mercado de trabalho, o que levou o Fundecam ao estágio de descapitalização contínua?
“O problema é que as administrações a partir de 2009 passaram a retirar recursos do Fundecam para empregar em outras finalidades da administração, isso de forma totalmente ilegal, porque não tinham autorização legislativa”, destaca o ex-presidente do Fundecam, Luiz Mário Concebida.
No mesmo período outras variantes foram contribuindo para a escalada de perdas. A inadimplência é outro dado a ser analisado, porque um das exigências para obter financiamento era a dação de um patrimônio em garantia e não consta que o município tenha executado os devedores.
Outro dado relevante é que as empresas, ainda que inadimplentes, geram empregos e massa de salários, impostos, um valor agregado que dinamiza a economia interna.
O Fundecam, recentemente, foi alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no âmbito da Câmara de Vereadores, mas os trabalhos mostrou-se muito mais uma peça de propaganda em véspera de ano eleitoral do que propriamente uma auditoria sobre o maior Fundo de fomento à iniciativa privada da região. A CPI, com apoio involuntário de segmentos da imprensa local, concentrou-se apenas no assassinato de reputações.








