É estarrecedora a revelação do ex-procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, sobre sua entrada armado no Supremo Tribunal Federal (STF), com a intenção de matar o ministro Gilmar Mendes.
Isso só demonstra o grau de loucura que tomou o país desde a eclosão da Operação Lava Jato, uma iniciativa que fugiu ao controle dos órgãos de controle externo e dividiu o país.
Segundo reportagem da Folha de São Paulo, Janot narra o episódio no livro de memórias que está lançando este mês.
O ex-procurador não esconde o ódio que nutre pelo ministro do STF.
Em certa ocasião, Gilmar fez uma insinuação de que a filha de Janot atuava como advogada de uma empresa envolvida na Lava Jato.
“Tenho uma dificuldade enorme de pronunciar o nome desta pessoa”, disse Janot à Folha.
O ato insano que parece cena de terrorismo não deve conspurcar o combate a corrupção. Há de se analisar caso a caso. A Operação Lava Jato foi importante no sentido mostrar ao país os subterrâneos da corrupção.
Em alguns casos conseguiu obter provas relevantes para comprovar desvios de dinheiro público, em outros produziu obras de ficção para condenar. Desviou-se de sua trajetória inicial em função de condutas criminosas dos seus agentes, que no decorrer das investigações escolheram lado e a partir daí transformou-se em braço operacional de correntes políticas.
Os procuradores passaram a contar com corruptos de estimação, que eram blindados, ao mesmo tempo que demonizavam outros utilizando-se do apoio midiático. A campanha de moralização transformou-se também em negócio para procuradores e juízes no ramo de palestras, conforme demonstram as revelações do site The Intercept Brasil.
As próprias delações viabilizaram altos negócios para escritórios de advocacias, algo que ainda poderá ser revelado nos âmbito de alguns vazamentos.
A revelação de Janot, no entanto, é um capítulo tenebroso. Fica comprovado que a ação criminosa desses agentes do Estado tergiversou para o terrorismo, porque o ex-procurador confessa que pretendia matar um ministro do STF em público e depois cometer suicídio. Faltou pouco para se travestir de homem bomba. Janot é o retrato do país pós Lava Jato.








