Amanhã, sexta, 30 de agosto, estarei tendo o prazer de falar para o público campista, minha terra natal, estudiosos, professores, pesquisadores, alunos, público em geral, com entrada franca, sobre a importância de Múcio da Paixão como escritor campista, crítico literário e teatrólogo.
Curiosamente ou predestinadamente, ocupo ou OCUPEI a Cadeira de nº 31, cujo patrono é Múcio da Paixão na Academia Campista de Letras. Isso nos traz, críticos e escritores comuns a um lugar comum: autores saídos da “marginalidade periférica”.
Explico: como quero encaminhar o conceito até Múcio da Paixão, se “marginal” é um termo que, nas palavras de Taís Aline Eble e Adolfo Ramos Lamar, cito-os, em Especiaria – Cadernos de Ciências Humanas. v. 16, n. 27, jul./dez. 2015, p. 193-212, tão “moderno”? Outro dilema.
O moderno já tem sua tradição. Parafraseando: O termo marginal, na literatura brasileira, aparece na década de 1970, com a Poesia Marginal ou a Geração do Mimeógrafo, representada pelos poetas Ana Cristina César, Cacaso, Paulo Leminiski, Francisco Alvim e Chacal, em sua maioria oriundos da cidade do Rio de Janeiro, de classes média e alta.
No que se refere à definição desse termo na literatura, está ligada a escritores considerados à margem do circuito editorial, à subversão do poder acadêmico linguístico e à representação das classes desfavorecidas.
No final da década de 1990, surgiu, novamente, na literatura brasileira, a nomenclatura marginal para representar um novo grupo de escritores, agora escritores representantes da própria periferia, principalmente a de São Paulo, tendo, como temática, a periferia, a cultura hip hop, os problemas sociais, entre outros.
A linguagem coloquial e as estruturas das letras de rap e gírias são características da linguagem das obras da literatura marginal dessa atual geração de escritores marginais/periféricos.
A antropóloga Nascimento (2006), ao tecer problematizações sobre a expressão literatura marginal, caracteriza e diferencia dois conjuntos de escritores que associam o termo marginal a sua produção literária: “literatura marginal dos escritores da periferia” e a “nova geração de escritores marginais”.
Segundo Nascimento (2006, p. 18), a expressão “literatura marginal dos escritores da periferia” tanto distingue os “textos produzidos por escritores da periferia dos demais textos publicados nos últimos quinze anos que poderiam ser classificados como ‘literatura marginal’” quanto os diferencia “das obras dos ditos poetas marginais setentistas”.
No que tange à “nova geração de escritores marginais”, se refere aos escritores da periferia que, no início dos anos 2000, se apropriaram de determinados significados do termo marginal, desenvolveram uma consciência comum e deram “respostas conjuntas aos problemas específicos do campo literário desta época” (NASCIMENTO, 2006, p. 18).
A literatura marginal também está diretamente associada à cultura hip hop e, principalmente, a melodias do rap, que é constituída por pilares: rap, break, graffite, moda hip hop, disc jockey (DJ), master of cerimony (MC) e Beat Box. O rap, abreviação do termo rhythm and poetry, é um estilo musical que traz a batida eletrônica sequenciada e a fala marcada por versos. Pode-se chamar Múcio da Paixão de marginal periférico? É o que trarei à tona na minha fala, amanhã, focando seu livro O Movimento Literário em Campos, de 1926.
TODOS CONVIDADOS!








