*Da redação
Para tentar encerrar a greve dos médicos na rede municipal de saúde, o prefeito de Campos dos Goytacazes (RJ), Rafael Diniz, iniciou na segunda-feira (14), pessoalmente, uma negociação com representantes do Sindicato dos Médicos (Simec).
Representantes do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) também participaram das negociações.
Em reunião no gabinete do prefeito, Diniz e os representantes da categoria assinaram uma ata que será colocada em votação em uma assembleia dos profissionais da Saúde nesta quarta-feira (14), às 19h, quando a categoria decidirá pela continuidade ou encerramento do movimento.
Na reunião, o prefeito expôs a realidade financeira do município, apresentando dados que apontam uma redução de repasses de royalties do petróleo e das participações especiais, duas principais fontes de receitas da administração municipal.
Ao assumir as negociações pessoalmente, o prefeito assumiu uma tarefa que caberia ao secretário de Saúde, Abdu Neme. Só que Neme encontra dificuldades de diálogo com os médicos, em função do desgaste junto a categoria. Mas o governo acredita que a reunião foi um avanço no sentido de conter o movimento grevista.
“É sempre importante afirmar e reafirmar que acima da prefeitura, do prefeito e dos médicos está a população. Continuamos a reunião hoje e decidimos por esses termos que estão sendo apresentadas nessa ata, que foi assinada por todos e vai ser apresentada pelo Sindicato aos profissionais”, disse o prefeito.
ACORDOS NEGOCIADOS
A ata, que ainda será levada a votação em assembleia nesta quarta-feira, prevê o pagamento de 50% das substituições e gratificações dos profissionais da saúde no mês de julho, com pagamento previsto para a próxima sexta-feira (16). Também há uma proposta para abonar as horas não trabalhadas durante o estado de greve dos profissionais que atendem em ambulatórios, mediante reposição por parte da categoria.
Outro ponto abordado na proposta é sobre a autorização do gozo das férias por parte dos profissionais, sem o pagamento imediato do 1/3 de férias. Com isso, não haverá impacto em custos adicionais ao município, conforme previsto no decreto 183/2019, publicado no Diário Oficial do dia 12 de julho.
“Todo mundo tem que entender que a realidade financeira do município é completamente outra e nós temos que nos adaptar urgentemente. Por isso, a importância desse grande pacto pela saúde de Campos. Todos os atores devem estar envolvidos na transformação”, destacou Diniz.
OUTRO LADO
Procurado pela reportagem do Portal VIU!, o presidente do Sindicato dos Médicos de Campos (Simec), José Roberto Crespo, afirmou que a insatisfação da categoria persiste em função não apenas da questão salarial, mas também em função das condições de trabalho.
“É importante destacar que este não um movimento apenas dos médicos. É um movimento da saúde, que envolve a insatisfação de outros profissionais do setor, como enfermeiros, fisioterapeutas e atendentes”, disse o presidente do Simec.
Sobre a discussão salarial, ele também salientou que o piso dos médicos em Campos é o menor da região. “O prefeito explicou as condições financeiras do município, chamou a categoria para cooperar com a gestão. Estamos prontos a fazer, desde que se dê transparências aos dados, porque queremos saber em que cavalo estamos embarcando”, afirmou Crespo.
O presidente do Simec também falou sobre ponto biométrico nas unidades de saúde. “Não temos medo de ponto biométrico. Eles já existem no HGG e no Hospital Ferreira Machado há dois anos. Aliás, nem sei porque contrataram uma empresa nova para dar continuidade a este serviço”, disse.








