*Reportagem Especial | Da redação
Comandante em chefe do Grupo MPE, o empresário Renato Abreu sempre desfilou com desenvoltura nos corredores do poder. No Estado do Rio, foi bem tratado no governo Sérgio Cabral e manteve excelentes relações no governo Pezão. Entre os seus padrinhos estava o ex-secretário de Agricultura nas duas gestões e atual deputado Federal, Christino Áureo (PP).
No governo de São Paulo, seus negócios envolviam obras no metrô. Para a União atuou nas obras, como a da Usina Nuclear de Angra dos Reis. Foram tempos de prosperidade, que possibilitaram ao empresário tornar-se patrono de festas, como feijoadas de jornais do interior. Nesses encontros provincianos chegava a ser tratado como dono da festa.
Após o vendaval provocado pela Operação Lava Jato, que abalou as estruturas de várias empresas encrencadas com corrupção, o empresário saiu de cena por uns tempos. Recolheu-se em São Fidélis (RJ), sua cidade natal no norte fluminense.
O grupo empresarial entrou em recuperação judicial e Abreu foi tragado na Operação Radioatividade, desdobramento da Lava Jato, em 2015, quando chegou a ser alvo de uma condução coercitiva por parte da Polícia Federal.
Nos últimos dias, o empresário parece ter saído do recolhimento para desbravar novos caminhos e manter-se perto do poder. Já apareceu em fotos ao lado do governador Wilson Witzel em visita à cidade de Campos dos Goytacazes (RJ) e atua como forte aliado do presidente da Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio (Coagro), Frederico Paes, que também tornou-se parceiro em investimentos no ramo de comunicação.
A Coagro atualmente comanda a Usina Sapucaia e responde a inquérito no Ministério Público do Trabalho por coagir trabalhadores. Antes de ser administrada pela cooperativa, a unidade industrial pertenceu ao grupo MPE.
OPERAÇÃO RADIOATIVIDADE
As investigações no âmbito da Radioatividade apontaram envolvimento do grupo MPE na formação de cartel e pagamento de propina nas obras da usina nuclear de Angra 3.
As digitais do grupo também aparecem nos escândalos da Petrobras. Em 2018, o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU) declarou a empresa MPE Montagens e Projetos Especiais S/A (que integra o mesmo grupo econômico) como inidônea para contratar com a Administração Pública.
De acordo com o órgão, o Processo Administrativo de Responsabilização (PAR) seguiu o rito da Lei Anticorrupção.
A decisão da CGU considerou que a empresa praticou atos lesivos, como a atuação em conluio, para frustrar o caráter competitivo de licitação da Petrobras, com base em tipificação prevista na Lei nº 8.666/1993.
Além da MPE, mais oito empresas já foram declaradas inidôneas: Mendes Júnior, Skanska, Iesa Óleo & Gás, Jaraguá Equipamentos Industriais, GDK S/A , Alumini Engenharia S/A, Tomé Engenharia S/A e Sanko Sider.
Em julho deste ano, o grupo empresarial sofreu mais um revés. O tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condenou 11 empresas e 42 pessoas por formação de cartel em licitações públicas de trens e metrôs em, pelo menos, 26 projetos nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul e no Distrito Federal.
A MPE Montagens e Projetos Especiais está entre as 11 empresas penalizadas e também terá que pagar parte de uma multa de R$ 515,59 milhões.
ENTENDA O CASO
O caso do cartel de trens e metrôs começou a ser investigado com base nas informações reveladas em acordo de leniência (uma espécie de delação premiada de empresas) entre o Cade e a multinacional alemã Siemens.
Seis ex-executivos da companhia colaboraram com as investigações.
De acordo com o Cade – órgão responsável pelo combate a abusos do poder econômico –, as empresas alvo do processo dividiram concorrências e combinaram valores de propostas apresentadas em licitações.
Ainda segundo as investigações, as fraudes incluíram institutos formalmente legais – como a formação de consórcio e a subcontratação – para dar uma aparência de competição ao cartel.








