*Da redação
Com a dengue, chicungunya e zika assolando o país, torna-se indispensável avaliar o resultado da municipalização dos serviços de combate às endemias no Brasil.
Até o ano 2000, no governo Fernando Henrique Cardoso, os serviços estavam vinculados ao Ministério da Saúde, por meio da Fundação Nacional da Saúde (FNS). Foram tempos de bons resultados na guerra contra o mosquito.
Para descentralizar o trabalho da FNS, o Ministério mantinha superintendências. A que gerenciava os trabalhos de agentes sanitários, carros fumacês e políticas de combate ao mosquito Aedes aegypti na região dos Lagos, Norte e Noroeste Fluminense ficava sediada em Campos dos Goytacazes (RJ).
“Eram 23 municípios sob a responsabilidade desta superintendência. O trabalho era intenso, mas conseguimos obter bons resultados”, lembra o odontólogo Paulo Cassiano, que foi um superintendentes que permaneceu mais tempo à frente do órgão na região.
Os trabalhos da FNS eram articulados com os municípios, mas sob a administração do governo Federal.
Foram excelentes resultados na guerra contra o mosquito, porque conseguiu manter os agentes de endemias conseguiram manter a situação sob controle com visitas domiciliares regulares. Outro detalhe: não faltava carros fumacês e carros fumacês nos bairros e distritos.
Atualmente, desde que os municípios assumiram a tarefa por meio dos Centros de Combate a Zoonoses (CCZ), muitas variantes tornaram o trabalho de combate mais complexo. Entre eles está o aumento no acúmulo de lixo doméstico (apontado como um maiores focos de proliferação), o surgimento de outros vírus, decorrência das mudanças genéticas do mosquito transmissor e outros fatores adicionais.
“Não dá para dizer que o aumento na proliferação do mosquito é decorrência de falhas das gestões municipais, até porque o fator que mais complica as campanha de prevenção é o lixo doméstico. Sem cooperação da comunidade fica difícil”, destaca Cassiano.
MUDANÇAS GENÉTICAS
Em quase duas décadas, o mosquito criou resistência aos pesticidas, reproduziu variantes com poder mais agressivo (zika, chicungunya), além de encontrar ambientes favoráveis à proliferação diante da maioria dos municípios sem políticas públicas definidas para o setor.
Na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ), o município está mantendo uma campanha permanente de combate aos focos do Aedes aegypti, com o prefeito Rafael Diniz participando pessoalmente de mutirões em bairros e distritos. Enquanto, isso, na maior parte das cidades vizinhas, há uma certa zona de conforto esperando o mosquito chegar.








