O presidente do Equador, Lenín Moreno, entregou o ciberativista Julian Assange as autoridades britânicas para conseguir um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI).
As afirmações são do ex-presidente equatoriano, Rafael Correa, que criticou duramente a decisão do governo de seu país.
“O maior traidor da história equatoriana e latino-americana, Lenín Moreno, permitiu que a polícia britânica entrasse na nossa embaixada em Londres para prender Assange. Moreno é um corrupto, e o que ele fez é um crime que a humanidade jamais se esquecerá,” disse.
Em entrevista a agência Sptunik, o ex-presidente afirmou que há evidências de que Moreno prometeu “entregar” Assange em uma reunião de 2017 com Paul Manafort, ex-chefe de campanha do presidente dos EUA, Donald Trump.
Nesta quarta-feira (10), o WikiLeaks denunciou que Assange estava sendo espionado pelo governo de Moreno dentro da embaixada para extraditá-lo.
Lenín Moreno culpa Assange por denúncias recentes de corrupção em sua administração, acusando o WikiLeaks de interceptar telefonemas e conversas privadas, e insinuou na última quarta-feira, durante comentários à Associação de Emissoras de Rádio do Equador, que Assange desempenhou algum papel na circulação de “fotos de sua casa nas redes sociais”.
INA Papers: La trama de corrupción por la que Lenín Moreno retiró asilo a Assange https://t.co/MwfQeMnakP
— Rafael Correa (@MashiRafael) April 11, 2019
O ex-presidente Correa, que rompeu com Moreno, também comentou sobre as visitas feitas ao Equador pelo vice-presidente dos Estados Unidos Mike Pence.
Nessas ocasiões, Moreno teria prometido “ajudar a isolar a Venezuela, deixar a corporação petroleira Chevron, uma empresa que destruiu metade da floresta amazônica, impune e entregar Assange”.
No mês passado, o FMI anunciou a aprovação de um empréstimo para o Equador de US$ 4,2 bilhões. A primeira parcela, de US$ 652 milhões, já foi liberada.
ENTENDA O CASO
O fundador do portal WikiLeaks, Julian Assange, ficou famoso por publicar assuntos polêmicos sobre, por exemplo, operações militares dos EUA no Afeganistão e no Iraque, bem como sobre as condições na prisão de Guantánamo.
Em 2010, o fundador do portal, que é de interesse das autoridades americanas, viajou para a Suécia em busca de proteção, porém, acabou sendo acusado de estuprar duas mulheres, mas acusação veio a ser arquivada pela a Suécia, que revogou o mandado de captura.
A partir de 2012, ele passou a viver refugiado na embaixada do Equador, em Londres. O país latino-americano na ocasião era governador por Rafael Correa.








