Saiba tudo sobre os rumos das investigações na Operação Furna da Onça e quantos deputados estaduais estão na mira da força tarefa; Leia o processo do TRF-2 na íntegra:
Em ação conjunta realizada na quinta-feira (8), o Ministério Público Federal e a Polícia Federal prenderam 7 deputados estaduais do Rio de Janeiro que estão no exercício do mandato. É o que se pode denominar de estouro de uma “Propinolândia”, termo que traduz a farra com dinheiro obtido por meio de um propinoduto que irrigou o bolso de parlamentares.
DEPUTADOS PRESOS:
André Correa (DEM), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (MDB), Luiz Martins (PDT), Marcelo Simão (PP), Marcos Abrahão (Avante) e Marcus Vinícius “Neskau” (PTB).
A Operação Furna da Onça é decorrente do aprofundamento de investigações com base em provas recolhidas aos longo do trabalho da Polícia Federal no Estado do Rio.
ENTENDA A INVESTIGAÇÃO QUE ESTÁ TIRANDO O SONO DA MAIORIA DOS DEPUTADOS
Nesta etapa, a força tarefa amplia as investigações sobre a atuação de parlamentares fluminenses em um esquema de corrupção iniciado no governo Sérgio Cabral.
A mesma Operação pediu a prisão de parlamentares que já estão confinados, como os ex-presidentes Jorge Picciani (em prisão domiciliar), Paulo Mello e Edson Albertassi, presos no Complexo Penitenciário de Bangu.
Além dos deputados, também foram presos funcionários lotados do Palácio Guanabara e no Departamento de Trânsito (Detran), incluindo o presidente do órgão, Leonardo Silva Jacob e seu antecessor Vinícius Farah, recém-eleito deputado federal pelo MDB.
O QUE VOCÊ TALVEZ AINDA NÃO SAIBA SOBRE AS INVESTIGAÇÕES
1 – O nome escolhido para batizar a Operação
Furna da Onça é uma sala do Palácio Tiradentes, plenário da Alerj, onde os parlamentares costumam se reunir antes das sessões.
2 – Origem da Operação e como a força tarefa conseguiu obter documentos
Esta nova etapa das investigações é um desdobramento da Operação Cadeia Velha, que levou para prisão duas das principais lideranças políticas do estado: os ex-presidentes da Alerj Jorge Picciani e Paulo Melo, que tiveram novamente pedidos de prisão expedidos. Esta mesma Operação prendeu o então líder do governo Pezão no legislativo, Edson Albertassi.
3 – Como os deputados participavam do esquema de corrupção no governo
Segundo as investigações, eles integravam o “núcleo parlamentar de uma organização criminosa” que operava no Estado. Eles atuavam na aprovação de projetos para facilitar o esquema financeiro e garantiam impunidade no âmbito do legislativo, obstruindo abertura de CPIs e aprovando contas do governador Sérgio Cabral e posteriormente de Luiz Fernando Pezão.
4 – O que os parlamentares recebiam no esquema criminoso
Eles recebiam dinheiro (os chamados mensalinhos) repassados por operadores financeiros do esquema empresários e doleiros que estão presos e participam do programa de delação premiada. Eles também recebiam cargos na administração estadual e vagas para abrigar cabos eleitorais em empresas terceirizadas, principalmente autarquias, como é o caso do Detran-RJ.
5 – Quantos deputados são investigados no esquema
De acordo com a fundamentação do desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Abel Gomes, relator do processo que expediu os mandados de prisão e de busca e apreensão, um total de 65 deputados estão sendo investigados, além de funcionários de empresas terceirizadas e da administração estadual.
6 – Os elementos de convicção obtidos pela Polícia Federal
Diálogos oriundos de interceptações telefônicas autorizados pela justiça, e-mails, mensagens de Whatsapp recuperados graças a apreensão de telefones celulares e planilhas encontradas em computadores apreendidos. Este foi um dos caminhos para desvendar o mapa das indicações de deputados em cargos na administração.
7 – Cruzamento de dados revelam uso eleitoral de cargos
A partir da apreensão de planilhas que detalham indicações para preenchimento de cargos no Estado, a força tarefa começou a cruzar dados com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). Está conseguindo identificar, por exemplo, que a maior votação dos parlamentares do esquema são nas regiões em que dominam órgãos da administração estadual por meio de indicações em órgãos do governo estadual e empresas terceirizadas.
8 – Frase que resume a partilha do Estado no esquema criminoso
“Um dia eu vou ter a oportunidade de te explicar que o Estado é um bolo. Ele é dividido em fatias. Cada um tem uma fatia…”, afirma Alcione Chaffin Andrade Fabri, chefe de gabinete do deputado Marcos Abrahão (Avante), ao falar com um colega ao telefone que estava grampeado por ordem da justiça. A chefe de gabinete e o parlamentar foram presos na quinta-feira.
9 – O show não pode parar
As investigações na Alerj não terminaram com a Operação Furna da Onça. Entre os 65 deputados que estão sendo investigados, possivelmente, alguns também devem ser presos ou indiciados.
10 – Rastreando o dinheiro e desvendando o esquema
Para o aprofundamento das investigações, a força tarefa está seguindo o dinheiro. A delação dos operadores do esquema, como Carlos Miranda e dos doleiros presos na Operação Câmbio Desligo, estão sendo determinantes na orientação do trabalho. Mas no que se refere o mensalinho na Alerj, muitos parlamentares recebiam diretamente dos presidentes, no caso, Jorge Picciani e Paulo Mello, no período em que estiveram no comando do legislativo.
11 – Dinheiro movimentado em salas, gabinetes e estacionamentos
O Ministério Público Federal afirma que o esquema de corrupção na Alerj movimentou R$ 54 milhões. A movimentação do dinheiro para entrega exigia criatividade dos operadores, que segundo as investigações, “usavam meias largas para esconder os numerários”.
CLIQUE AQUI E LEIA PROCESSO DO TRF2 NA ÍNTEGRA








