Presidente eleito herdará um país em crise econômica e terá que negociar com grupos de interesses fragmentados; Leia e saiba mais:
Reportagem Especial | Foto: Ricardo Moraes/Reuters
O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) herdará um país em grave crise econômica, além de dividido após uma campanha eleitoral polarizada e violenta. Diante do radicalismo que marcou as eleições, o período entre a consumação da vitória no segundo turno e a posse promete ser muito mais do que uma fase de transição.
Para o cientista político e sociólogo Alberto Carlos Almeida, a sociedade brasileira está caminhando para um cenário de maior fragmentação.
“As eleições no Brasil ficaram mais estreitas. É a segunda eleição com menor margem entre o primeiro e segundo colocado. Talvez isso venha a ser o nosso normal. Então temos uma sociedade mais dividida e com eleições mais equilibradas, a não ser em momentos muito específicos”, explica Almeida, que também é diretor do Instituto Brasilis.
“No início, o presidente ‘pode tudo’, se ele souber que caminho que ele quer trilhar, que proposições que ele gostaria de apresentar, o custo de negociação é menor, o Congresso é disposto, existe uma ‘lua de mel’. Mas depois de algum tempo, esse tempo é incerto, essa lua de mel vai embora, e as negociações se tornam mais complicadas”, observou.
Para Almeida é importante observar a partir os planos de Bolsonaro para a escolha dos ministérios.
“Tradicionalmente, no Brasil, o ministério tem que guardar certa proporcionalidade de força dos partidos no parlamento. Então se um partido tem 10% das cadeiras, em geral ele tem que ter 10% dos ministérios, ou pelo menos dos recursos discricionários na alçada do Poder Executivo. Se isso não for feito, ele já criou um problema pra si próprio, que foi a promessa de redução de ministérios. Então a diminuição de ministérios dificulta a sua negociação com o Congresso Nacional”, argumentou o especialista.
Alberto Carlos Almeida acrescentou que se o Bolsonaro conferir muitos ministérios a militares, ele diminui novamente a sua margem de negociação com a Câmara e o Senado.
“Os presidentes que menos respeitaram essa regra de estabilidade ao governo foram Collor e Dilma, e os que mais respeitaram foram Fernando Henrique e Lula”, concluiu.
*Sputnik Brasil








