Bem antes de Ciro Gomes, o empresário Samuel Klein enxergou o poder de consumo dos pobres e criou o carnê Casas Bahia;
O empresário Samuel Klein (falecido em 1997), fundador das Casas Bahia, encontrou uma fórmula para transformar sua empresa em uma das gigantes do varejo brasileiro: mirou nas classes C e D. Para driblar a inadimplência, aceitou vender para consumidores de baixa renda mesmo diante das restrições do SPC. Criou o tradicional carnê Casas Bahia.
Mesmo com o nome sujo, o consumidor poderia comprar móveis, eletrodomésticos e eletrônicos. Ao escolher as mercadorias, receberia um carnê que seria utilizado para quitar suaves prestações mensais. Era possível comprar em parcelas a perder de vista. Com esta fórmula a empresa recuperou um segmento que estava excluído do mercado de consumo.
Descendente de poloneses, Klein partia de uma constatação como velho comerciante: o pobre brasileiro não é velhaco. Pobre gosta de honrar o nome, sente vergonha de carregar dívidas, enquanto que o rico segue a velha máxima: “devo, não nego e pago quando puder”. Não deu outra: fidelizou a clientela e criou o próprio modelo de financiamento. Foi uma acolhida ao consumidor excluído.
Samuel Klein faleceu em 1997, aos 91 anos. Antes de falecer, passou a empresa para controle da Via Varejo
No Brasil de Michel Temer, o desemprego foi a grande turbulência que empurrou a população pobre para o endividamento. Atualmente mais de 13 milhões de trabalhadores estão desempregados, alguns conseguindo sobreviver por meio de bicos na completa informalidade. Um contingente de 63 milhões de brasileiros está na lista negra do SPC, o que mostra o verdadeiro estrago para o comércio interno. É para esta parcela da sociedade que o candidato do PDT à presidência, Ciro Gomes, acena com a proposta de limpar a ficha comercial.
É provável Ciro não tenha se inspirado na experiência de Samuel Klein, mas ao propor um Refis para esses 63 milhões de consumidores dá um norte importante para uma retomada do consumo nas classes C e D.
O fundador das Casas Bahia era saudado pela mídia brasileira como “Rei do varejo”, “descobridor da classe C”. Agora é interessante observar como a mídia brasileira banaliza a proposta de Ciro Gomes e parte para o deboche. É um sintoma da desqualificação que atinge segmentos de uma imprensa que trocou a informação pela manipulação. Para entender a proposta de Ciro Gomes é recomendável estudar a estratégia de negócios do empresário que surfou na onda pós Plano Real.








