Ao rebaixar o Brasil para grau especulativo, agência de risco pode ter inviabilizado operação de crédito lastreada em royalties do petróleo |
O rebaixamento do Brasil pela Standard and Poor’s para grau especulativo tem um significado sombrio para as cidades produtoras de petróleo da Bacia de Campos, no Estado do Rio, que buscam recursos por meio de empréstimos no mercado financeiro internacional, operação permitida por um projeto de resolução do Senado que tem entre seus autores o senador Marcelo Crivella (PRB-J | Foto) .
Daqui para frente o crédito no exterior para as empresas e governos em todas as esferas no país estará mais caro. O espetáculo midiático em torno do rebaixamento cria expectativas negativas para o mercado e neste ambiente inóspito as taxas são sempre mais elevadas. Portanto, o grau de dificuldades estará muito mais acentuado, a exemplo do que já acontece com algumas empresas que são grandes tomadoras de financiamentos no exterior.
A tendência é de que o próprio Ministério da Fazenda e o Tesouro Nacional criem barreiras para evitar o vazamento de renda nos próximos anos. Aos ouvidos da equipe econômica da presidente Dilma, endividamento de empresas e governos estaduais e municipais no exterior virou palavrão.
Diante deste novo cenário, algumas cidades que pensavam tomar empréstimos para capitalizar um fundo de recomposição de perdas de royalties do petróleo já recuaram. Este seria o caso, por exemplo, de Macaé e Búzios, onde os prefeitos, respectivamente Dr. Aluízio (PMDB) e André Granado (PSC), puxaram o freio de mão nesta iniciativa.
Em Campos dos Goytacazes, a prefeita Rosinha Garotinho ainda busca esta alternativa, assim como Alair Corrêa (PP), em Cabo Frio, Amaro Fernandes (PRB), em Carapebus, e Nilton Pinto (PR), em Quissamã.
A crise econômica é grave em todo o mundo. No Brasil ela ainda tende a produzir efeitos piores até dezembro. Para as cidades que tem boa parte de suas arrecadações concentradas nos repasses de royalties do petróleo, a política de austeridade na administração paralela a operação financeira visando aliviar o caixa seria a melhor alternativa, mas agora é improvável que isso aconteça em curto prazo. O que está ruim agora, em 2016 tende a piorar. Em ano eleitoral o ambiente se tornará ainda mais conturbado, sob o ponto de vista jurídico, para esse tipo de operação.








