A diáspora provocada por conflitos no Oriente Médio |
*Por João Vicente Alvarenga |
A situação dos refugiados de países do Oriente Médio que vivem sob a pressão de conflitos armados e do terrorismo do Estado Islâmico, chega a um ponto em que os países da Zona do Euro, primeiramente, e países da América devem estender a mão a essas crianças, jovens e idosos já sem nenhuma possibilidade de uma vida digna, porque deixaram tudo o que tinham para trás, fugindo do horror da guerra, do terrorismo e da fome. Querem desesperadamente alcançar a Europa. Mas muitos não conseguem e as fronteiras estão cheias de mulheres, homens e crianças mortos no seu intento, precisamente de sobreviver.
Há urgência em receber este numeroso contingente disperso, que busca uma nova vida, em algum país da Europa, e, simultaneamente, uma ação humanitária que não deve ser sonegada pelos organismos internacionais, que já deveriam ter criado uma força tarefa internacional para diminuir o sofrimento dessas pessoas e imediatamente dar-lhes um novo destino, seja na Europa, seja na América.
Essa diáspora a que assistimos pelos noticiários dos telejornais é, talvez, a maior crise humanitária que o mundo já viu depois dos horrores da II Guerra Mundial. Essa situação não se resolverá com a complicada operação de resgate, acolhimento e repatriação. Se tantos mil são distribuídos entre os países europeus, outros tantos mil chegam a cada instante desejando também uma nova pátria. O Alto Comisariado das Nações Unidas para Refugiados estima que 350.000 pessoas cruzaram o Mediterrâneo em 2015. E cerca de 2 500 morreram na tentativa de chegar à Europa.
O mal deve ser combatido na sua raiz, no seu nascedouro. Nesses países onde estão localizados os conflitos armados, por causas diversas, pode pode e pode deve sofre intervenção da paz, coordenada pela ONU e controlar e proteger civis, populações desses países. A Síria deve receber um tratamento diferenciado, porque ela abriga uma rede de terroristas comandada pelo Estado Islâmico. O mundo não deve suportar nem tolerar tamanho absurdo de intolerância e animalidade. Hoje não se descarta hipótese de uma união bélica entre Rússia e Estados Unidos para impedir o avanço da Síria em seus intentos de levar o terrorismo para o resto do mundo.
Depois das atrocidades da II Guerra Mundial, a Europa envergonhada prometeu a si mesma: “Nunca mais”. Vale a pergunta: estão os governos da União Europeia dispostos a cumpri-la?
A Canaã, terra prometida desses novos hebreus, é a Alemanha, seja porque ela está numa posição geográfica que favorece que ela seja a porta de entrada para a Europa, seja porque é ela o alvo da maioria dos deslocados, por sua confortável situação econômica. A Alemanha se tornou a força motriz da economia europeia. Desejar viver na Alemanha é um sonho de muitos desses refugiados.
Os refugiados saem de Budapeste em direção à fronteira com a Áustria, pela autovia M1, rumo a Alemanha. Mas a Alemanha sozinha não suportaria receber todo esse contingente de expatriados. A União Europeia tem fundos que podem ser utilizados para esta finalidade: migração e asilo.
A esse respeito, a prefeita de Barcelona (Espanha) enviou uma carta ao presidente do Governo espanhol – 5 de setembro – sobre a crise migratória.
Um trecho dessa carta é significativo e bastante revelados sobre o potencial financeiro e econômico da Espanha e, que por isso, não deve afastar-se dessa ação humanitária. A prefeita de Barcelona cobra do Governo Central uma ação urgente a favor dos refugiados. A seguir, trecho da carta:
Barcelona se compromete a acolher o contingente de refugiados que corresponda ao importante tamanho e peso econômico de nossa cidade, com o fim de facilitar que o Estado cumpra com as obrigações que são exigidas pela União Europeia. O espírito de coordenação é fundamental neste momento, e somos um aliado no cumprimento dos Direitos Humanos. Mas também é necessário que o Estado se comprometa a apoiar aqueles que se oferecem a prestar sua ajuda. As prefeituras necessitam de recursos e sabemos que estes recursos existem. Em agosto passado, a Comissão Europeia aprovou destinar 521,7 milhões de euros ao Estado espanhol como ajuda ao seu programa para o problema da migração e asilo. A Espanha, depois da Grécia, é o segundo país da União Europeia que mais fundos recebe.








