Depois de levar calote de Embaixada da Guiné e ficar sem amparo da justiça brasileira, funcionário incendeia carros em Brasília-DF;
Foto: Reprodução
Dois veículos da Embaixada da República da Guiné, no Lago Sul, em Brasília, foram destruídos por um incêndio no final da manhã desta segunda-feira (11). Um ex-funcionário da missão diplomática identificado como Mohamed Lamine Nabe, 39 anos, foi detido pela Polícia Militar pouco depois e acusado de ter provocado os incêndios.
De acordo com as autoridades, o crime teria sido motivado por pendências trabalhistas. Os veículos pertenciam a outros funcionários da Embaixada. “As vítimas prestaram depoimentos e o suspeito foi encaminhado para a 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul”, disseram os bombeiros. CONFIRA VÍDEO:
ENTENDA O CASO
O incidente ocorreu no conjunto B da QI 7, no Lago Sul, em frente à Embaixada da Guiné. Mohamed já trabalhou na Embaixada, segundo relatou funcionários do local. Ele usou um alicate para quebrar os vidros de dois veículos. Depois disso, jogou álcool nos carros e ateou fogo. Os automóveis ficaram completamente destruídos.
O Corpo de Bombeiros controlou as chamas por volta das 13h. Ninguém se feriu. Mohamed permaneceu no local depois de colocar fogo nos automóveis e foi preso em flagrante pela Polícia Militar. O homem foi encaminhado para à 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), que investigará o caso. De acordo com relatos, Mohamed nos últimos dias estava passando fome.
A Embaixada da República da Guiné já foi denunciada por vender passaporte diplomático para denunciados na Operação Zelotes. CLIQUE AQUI E CONFIRA:
CALOTE E IMPUNIDADE
Desde o ano passado, Mohamed Lamine acusa a Embaixada da República da Guiné de não pagar seus direitos trabalhistas, referentes à época em que trabalhou no local — entre 2013 e 2016, segundo ele. Ele acusa a representação de demiti-lo irregularmente e impedi-lo de pegar objetos pessoais que estavam na sede da representação.
Contratado em setembro de 2013, Mohamed trabalhou na Embaixada da Guiné como assessor de comunicação. Seu salário mensal deveria ser de R$ 3,5 mil, no entanto, ele alegou que recebia apenas R$ 2 mil.
Além disso, Mohamed acusou a Embaixada de nunca ter assinado sua carteira de trabalho e de não ter pagado o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). De acordo com o ex-funcionário da instituição, em novembro de 2016, ele acabou sendo demitido pelo cônsul da Embaixada, Alhassane Haidará, que não deu explicações sobre a recisão do contrato.
Mohamed solicitou assistência jurídica à Defensoria Pública da União, e denunciou a Embaixada ao Tribunal Regional do Trabalho. No entanto, em março do ano passado, a juíza Thais Bernardes Camilo Rocha, da 3ª Vara do Trabalho de Brasília, indeferiu a petição de Mohamed, por ele “não observar a forma correta de apresentação”.
“A manifestação não atendeu à determinação deste Juízo. Assim sendo, indefiro a petição inicial e determino a extinção da presente ação sem julgamento de mérito”, declarou a juíza.
*Agência VIU!








