Ex-secretário de Obras no governo de Sérgio Cabral (MDB), no Rio de Janeiro, e apontado como ex-braço direito do atual governador Luiz Fernando Pezão (MDB), o consultor de empresas Hudson Braga, o Braguinha, é a nova fagulha que incendeia o Palácio Guanabara, sede da administração estadual.
Sua delação ao juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, Marcelo Bretas, no âmbito da Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato, chega em Pezão e também alcança outros personagens, como o deputado Indio da Costa (PSD-foto) e o senador Romário (Podemos), mas tudo gravitando em torno do governo estadual.
O delator diz que o apoio de Indio a candidatura de Pezão, em 2014, foi fechado por R$ 30 milhões. O intermediário na negociata foi o ex-banqueiro e ex-deputado Ronaldo Cezar Coelho. Pelo menos R$ 4 milhões nesta acordo teriam sido pagos.
O conteúdo da delação é tema de uma reportagem na revista Veja e joga mais lenha na “fogueira” da corrupção que devora o estado fluminense.
Indio da Costa, recentemente, ocupou cargo de primeiro escalão na Prefeitura do Rio, nomeado pelo prefeito Marcelo Crivella. Se desincompatibilizou para disputar o governo do Estado. Como candidato a deputado, sempre gostou de se apresentar como o pai da Lei da Ficha Limpa, a legislação que tem servido de barreira para políticos condenados pela justiça. No entanto, a julgar pela delação de Braguinha, o “pai da Ficha Limpa” sujou a própria ficha ao mergulhar no mar de lama em troca de R$ 30 milhões.
O TRATO ENTRE INDIO E CABRAL
Braga, então coordenador de campanha de Luiz Fernando Pezão, diz ter participado de uma reunião no gabinete de Sergio Cabral com as partes envolvidas para tratar do acordo, no caso, o ex-governador e Indio da Costa.
“O pagamento se deu da seguinte forma: um assessor especial de Cabral realizava a função de caixa de Pezão. Um montante de dois milhões, proveniente de propina que Cabral recebeu, foi guardado para Pezão. Outros dois milhões foram entregues pessoalmente por Braga a esse assessor que, posteriormente, os repassou para Ronaldo Cezar Coelho. O destino final seria a campanha de Índio”, diz nota publicada na coluna Radar, em Veja Online.
Em nota publicada nesta sexta-feira (27), o colunista Mauricio Lima destaca que Indio da Costa entrou em contato e negou o episódio. “Definitivamente, não fiz parte nem compactuo com os métodos desse PMDB que destruiu o estado”, diz nota atribuída ao deputado. .
R$ 3 MILHÕES PARA ROMÁRIO
Outro pré-candidato ao governo do Estado citado é o senador Romário. Para apoiar Pezão em 2014, ele teria recebido R$ 3 milhões. No encontro que aconteceu em uma sala de reunião no Hotel Othon, na Avenida Lucio Costa, o ex-jogador pediu o dinheiro levantando três dedinhos. Estava com medo de ser gravado. Além do apoio, segundo o delator, a reunião tratou também uma agenda de eventos, incluindo entrevista coletiva, gravações de apoio e carreata.
O pagamento teria sido feito em espécie, por pessoa indicada pelo senador. “Para quitar a dívida, foram realizados em parcelas de R$ 800 mil, R$ 50 mil e R$ 850 mil”, diz o delator.
O MENSALÃO DE PEZÃO
Sobre Pezão, Braga diz que entregava, pessoalmente, todos os meses R$ 100 mil das empreiteiras com obras no governo Sérgio Cabral. O próprio Cabral, de acordo com Braga, daria outros R$ 100 mil a Pezão.
Hudson Braga atuava como consultor de empresas na região sul do Estado. Tinha bom trânsito entre os prefeitos. Chegou ao primeiro escalão de em cargo público por indicação de Pezão, mas sempre esteve debaixo de sua influência. Era o então vice-governador que decidia a destinação dos recursos dos programas “Bairro Novo”, “Asfalto na Porta” e “Somando Forças”.
Havia também pedidos extras que eram feitos mensalmente para ajudar algum político. Os valores eram entregues a Pezão ou ao seu assessor “Luizinho”, que era da sua confiança. Confira trechos da coluna Radar Online:
Em outro anexo da proposta de delação, Braga fala sobre o envolvimento de Pezão com a JRO Pavimentação Ltda., de dois amigos de confiança do governador. Braga teria sido orientado a repassar R$ 5 milhões para a empresa, em troca de notas promissórias. Braga diz que tem as notas para provar a operação e que o dinheiro está lá até hoje.
O colaborador acrescenta que a campanha que elegeu Pezão em 2014 custou oficialmente R$ 71 milhões, mas o custo total real foi de aproximadamente R$ 300 milhões.
Não é só. Pezão e companhia firmaram acordo para a compra de apoio político de ao menos 16 partidos. Seu marqueteiro, Renato Pereira, também enrolado na Lava-Jato, custou aos cofres de campanha mais ou menos R$ 28 milhões, quando, na verdade, foram pagos a ele, em espécie, mais de R$ 80 milhões. O alto valor saiu de repasses da Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez.
Ao término da campanha, Braga negociou sua saída da equipe de Pezão. Pelo acordo, ele receberia cerca de R$ 150 por mês da organização criminosa, o que ocorreu até fevereiro de 2016.
*Agência VIU!








