Movimento Fala Akari emite nota e diz que assassinato de vereadora foi um recado ao ativismo pelos direitos humanos;
A Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil publicou uma nota nesta quinta-feira (15) pedindo uma investigação rigorosa do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), de 38 anos.
“Quinta vereadora mais votada nas eleições municipais de 2016, Marielle era um dos marcos da renovação da participação política das mulheres, diferenciando-se pelo caráter progressista em assuntos sociais no contexto da responsabilidade do Poder Legislativo local”, afirmaram na nota.
Marielle foi assassinada a tiros na noite desta quarta-feira (14), no centro do Rio de Janeiro, após sair do debate “Mulheres Negras Movendo Estruturas!”. O motorista que conduzia o carro em que a vereadora estava também foi morto pelos disparos.
Marielle era presidente da Comissão da Mulher na casa e tinha acabado de assumir a relatoria da comissão parlamentar que acompanhará a Intervenção Federal na Segurança Pública.
LUTO NA FAVELA DE ACARI
O coletivo da Favela do Acari ‘Fala Akari’ publicou uma nota nas redes sociais cobrando a apuração da execução da parlamentar, além de criticar o grande aumento da violência policial na comunidade.
A militante do coletivo, Buba Aguiar, disse à agência Sputnik News que a execução da vereadora do PSOL representa um silenciamento da luta contra violência armada do Estado.
“Não foi uma simples morte, foi uma execução, um recado límpido pra todas as pessoas que se levantam pra lutar contra os desmandos do Estado e seu braço armado”, disse a ativista.
Escolhida para fiscalizar a intervenção federal na segurança pública do Rio, Marielle Franco havia postado e m10 de março que o 41º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro estava “aterrorizando e violentando moradores de Acari”.
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De acordo com Buba Aguiar, “a situação em Acari está preocupante demais”, destacando que houve um significativo aumento da violência policial após o início da intervenção federal. “Houve uma maior atuação do batalhão local depois da intervenção e uma maior violência do mesmo”, observa.
A principal linha de acusação da polícia é execução. Marielle era uma das relatoras de uma comissão criada em fevereiro para monitorar a operação das Forças Armadas na segurança pública do Rio de Janeiro. A denúncia da violência policial nas favelas e a defesa dos direitos humanos eram alguns dos temas de maior atuação de vereadora.
“A Marielle era uma mulher negra e favelada como todas as mulheres do coletivo ‘Fala Akari’ e como a grande maioria das mulheres das favelas do RJ. Era da Maré. Era uma voz a mais na luta pelo nosso povo. Uma luta que estão tentando silenciar, mas que não irão conseguir”, completa Buba Aguiar.
*Sputnik News








