O roteiro da farsa que o PT montou para promover a expulsão combinada do vereador de Macaé, Igor Sardinha, depois de uma derrota imposta por Luciano Diniz numa disputa interna |
Se alguém deseja entender os meandros de uma luta interna dentro de um partido, precisa ler com atenção os recentes acontecimentos no diretório do PT de Macaé, cidade do Norte Fluminense. O capítulo final do roteiro remete a uma fraude contra a resolução número 22.610 do TSE, que institui a fidelidade partidária.
Já a história completa expõe os principais personagens desta trama, o presidente do diretório regional, o prefeito de Maricá, Washington Quaquá, e o vereador macaense, Igor Sardinha (PT), beneficiado por um processo de “expulsão combinada” para fugir das implicações da legislação eleitoral. Foi, na verdade, uma rota de fuga, depois da consumação de uma derrota interna e a busca desesperada para fugir da máculas do Petrolão.
Para entender
O PT de Macaé estava mergulhado em uma luta interna. Igor Sardinha detinha a hegemonia no diretório. Afinado com o presidente regional Washington Quaquá, ele conseguiu aprovar uma resolução na regional obrigando que todos os filiados petistas entregassem os cargos no governo do prefeito Dr. Aluízio, contra o qual Sardinha faz oposição sistemática.
A medida que chegou a ser festejada pelos aliados do vereador nas redes sociais atingia a aliança de outro vereador da legenda, Luciano Diniz, com o governo. Diniz, juntamente com o grupo do militante Rafael Amorim, articulou-se e partiu rumo ao diretório nacional, em Brasília. Impetrou recurso e conseguiu suspender a decisão da regional. Documento divulgado pela direção nacional do partido e obtido pelo Portal VIU ONLINE informa que “a decisão da regional estava sub judice e exigia apresentação das contrarrazões” da regional carioca.
Consumou-se uma derrota contra Igor Sardinha, que estava já em situação incômoda na legenda.
Os recentes escândalos do Petrolão abalavam seu discurso de opositor na cidade, principalmente suas alianças com senador o Lindbergh Farias (PT-RJ), citado nos depoimentos de delação premiada como beneficiário de propinas no Petrolão. O vereador então buscou negociar saída por meio da expulsão. Seria a única forma de não perder o mandato, já que a resolução do TSE só permite ao parlamentar eleito mudar de legenda em caso de “incorporação ou fusão do partido, criação de novo partido, mudança substancial ou o desvio reiterado do programa partidário e a grave discriminação pessoal”.
Como o PT não se fundiu ou incorporou legenda, e não discriminava o vereador, a armação foi milimetricamente calculada nas hostes regionais do PT. Sardinha foi expulso e vai filiar-se ao PRB do senador Marcelo Crivella. Foi sua última alternativa depois de tentar promover um golpe para dissolver o diretório municipal do PSB e fracassar.
Mas agora começa a batalha judicial. O PV, que fez coligação com o PT na eleição municipal de 2012 e tem a filiação do primeiro suplente, vai entrar na justiça denunciando a farsa e pedindo o mandato de Igor Sardinha. Seria conveniente ao Ministério Público Eleitoral verificar todas as expulsões de vereadores do PT no Estado no Rio em tempos recentes. É possível que se descubra que a fraude contra a resolução do TSE vai bem mais adiante.








