Saiba quais são as pessoas que tiveram prisão preventiva decretada pelo juiz de Campos-RJ e o homem que delatou;
Da redação
Na nova invernada contra o núcleo político do ex-governador Anthony Garotinho, o juiz da 98ª Zona Eleitoral de Campos dos Goytacazes, Glaucinir Oliveira, pede a prisão de seis pessoas: o ex-governador, a esposa Rosinha Garotinho, o ex-secretário de Controle Interno da Prefeitura, Suledil Bernardino, o ex-policial Civil, Antônio Carlos Ribeiro da Silva, o Toninho, o genro do ex-policial, Fabiano Rosa Alonso, o empreiteiro Ney Flores e o presidente nacional do PR, Antônio Carlos Rodrigues.
ENTENDA A ACUSAÇÃO
Garotinho – O ex-governador é apontado como chefe do que o juiz define como organização criminosa, autorizando pagamentos da prefeitura de Campos no governo Rosinha mediante contribuição financeira de fornecedores. Situação: preso em Benfica.
Rosinha – Prefeita de Campos entre 2009 e 2015, segundo o juiz, ela foi ordenadora de despesa e permitiu a atuação do grupo. Situação: presa no presídio feminino.
Thiago Godoy – Ex-subsecretário de governo é apontado como um dos operadores de Garotinho. Situação: preso.
Suledil Bernardino – Secretário de Controle Interno no período, ele era responsável pela liberação dos pagamentos e teria criado dificuldades para criar dependência dos empresários e contribuição financeira. Ele só liberava pagamento, segundo a denúncia, com ordem de Garotinho. Situação: preso.
Antônio Carlos Ribeiro da Silva – O ex-policial civil seria responsável pelo recolhimento do dinheiro junto aos empreiteiros. Situação: preso.
Fabiano Rosa Alonso – Genro do ex-policial civil, ele também seria um arrecadador. Situação: Não foi encontrado.
Ney Flores – Empreiteiro de obras públicas, ele também é apontado como responsável por arrecadar dinheiro com fornecedores. Situação: não foi encontrado.
Antônio Carlos Rodrigues – Presidente nacional do PR é apontado como beneficiário de propina no valor de R$ 20 milhões, provenientes da JBS, também na campanha de 2014, para garantir apoio da sigla à reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff, com parte dos recursos destinados a campanha de Garotinho no RJ. Situação: não foi encontrado.
Ao contrário do que foi divulgado, não se trata de uma ação decorrente da Operação Chequinho ou Lava Jato. Na verdade é um novo processo, que nasceu com a suposta “delação espontânea” do empresário André Luiz da Silva Rodrigues, o Deka. Relata o juiz no processo, que ele teria procurado a Delegacia da Polícia Federal por livre espontânea vontade para delatar um esquema operado nas eleições de 2010, 2012, 2014 e 2016 visando formar uma organização criminosa para arrecadar recursos “de forma ilícita” para financiar campanhas eleitorais.
Portanto, da delação de Deka, sócio da Ocean Link (uma empresa que nunca operou na Prefeitura de Campos), e Working (esta sim, fornecedora de serviços para o município) nasceu um novo processo que eclodiu na prisão preventiva.
O Ministério Público entrou pesado na denúncia. Fala até em coação com arma de fogo, o que, talvez, seja o maior motivador do pedido de prisão preventiva. O juiz deita e rola para justificar a decisão. Ele cita trechos de um discurso do ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt, enaltece a Lava Jato, e lembra uma frase extraída da história do Moleiro de SansSouci, durante o império de Frederico II, o Grande, na Alemanha: “ainda há juízes em Berlim!”
No mandado de busca e apreensão o juiz pede apreensão de celulares, computadores e dos famosos pen drives de Garotinho.








