O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, deverá ser transferido da Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, para uma unidade prisional fluminense. A determinação foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) confirmou neste sábado (31) que recebeu a comunicação oficial da decisão judicial.
De acordo com a pasta, já estão em andamento as tratativas com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) para organizar o deslocamento do ex-parlamentar.
O governo estadual ainda não informou quando a transferência será realizada nem qual unidade penitenciária receberá Bacellar.
Ex-presidente da Alerj foi preso em março
Rodrigo Bacellar, que teve o mandato de deputado estadual cassado, foi preso em março de 2026, durante a terceira fase da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal.
A prisão ocorreu na residência do ex-parlamentar, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.
Ele é investigado por suspeita de participação no vazamento de informações sigilosas que teriam comprometido uma operação policial contra integrantes do Comando Vermelho.
Bacellar já havia sido detido em dezembro de 2025, quando ocupava a presidência da Alerj. Após ser colocado em liberdade, voltou a ser preso com o avanço das investigações.
Operação Unha e Carne investiga vazamento de informações
A investigação teve início com a apuração de suspeitas de divulgação indevida de informações relacionadas a uma operação contra o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias.
O ex-parlamentar foi preso sob suspeita de envolvimento na negociação de armamentos para o Comando Vermelho.
Com o avanço das diligências, a Polícia Federal passou a investigar outras possíveis irregularidades envolvendo agentes públicos e pessoas ligadas ao crime organizado.
Uma das etapas examinou suspeitas relacionadas a contratos e procedimentos de aquisição de materiais e serviços da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc).
Nessa fase, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso. Segundo os investigadores, ele teria oferecido cargos na secretaria a Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como Júnior do Beco, apontado como traficante.
As suspeitas fazem parte de diferentes frentes da investigação e ainda dependem das conclusões dos procedimentos judiciais.
Investigação também apura suspeitas de lavagem de dinheiro
Em julho, a quinta fase da Operação Unha e Carne concentrou esforços na apuração de possíveis esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao jogo do bicho e a agentes públicos do Rio de Janeiro.
A Polícia Federal cumpriu 14 mandados de busca e apreensão na capital e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Entre os investigados que tiveram mandados de prisão preventiva expedidos estavam Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o pastor Márcio Poncio.
As medidas foram autorizadas pelo STF, que também determinou o bloqueio e sequestro de bens e valores estimados em R$ 22 milhões.
Segundo a Polícia Federal, documentos recolhidos durante as investigações apresentavam registros de supostos pagamentos irregulares, doações eleitorais e movimentações financeiras suspeitas.
Os elementos levantados são analisados para verificar possíveis conexões entre atividades ilícitas e agentes políticos.
A existência das suspeitas, entretanto, não representa uma condenação definitiva dos investigados.
Transferência depende de procedimentos administrativos
Com a autorização do Supremo Tribunal Federal, a transferência de Bacellar deverá ser organizada pelos órgãos responsáveis pelos sistemas penitenciários federal e estadual.
A Seppen informou que acompanha as providências necessárias para o cumprimento da decisão.
Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a logística do deslocamento nem sobre o estabelecimento prisional de destino.
As investigações relacionadas ao ex-presidente da Alerj continuam sob acompanhamento da Justiça.
*Da Agência Fonte Exclusiva



