Os municípios do Norte Fluminense receberam mais recursos provenientes dos royalties do petróleo em outubro. Entre as cidades analisadas, Macaé teve o maior repasse, com R$ 162,3 milhões. Campos dos Goytacazes e São João da Barra também registraram aumento em relação a setembro, ampliando as receitas disponíveis para as administrações municipais.
Os dados constam nos demonstrativos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Os valores pagos em outubro correspondem à produção de petróleo e gás natural registrada em agosto de 2026.
Macaé apresentou o maior crescimento em valores absolutos, com aproximadamente R$ 19,6 milhões a mais do que no mês anterior. Em Campos dos Goytacazes, o acréscimo foi de cerca de R$ 7,5 milhões, enquanto São João da Barra recebeu aproximadamente R$ 2 milhões adicionais.
Confira os valores dos royalties em outubro
| Município | Setembro | Outubro | Variação |
| Macaé | R$ 142.708.086,10 | R$ 162.326.602,53 | +13,7% |
| Campos dos Goytacazes | R$ 57.936.489,62 | R$ 65.435.285,09 | +12,9% |
| São João da Barra | R$ 27.088.005,99 | R$ 29.133.543,13 | +7,6% |
Os royalties são compensações financeiras pagas pela exploração de petróleo e gás natural. O cálculo leva em conta fatores como o volume produzido, a alíquota aplicada a cada campo e os preços de referência utilizados pela ANP.
Preço do petróleo pode influenciar próximos repasses
A cotação internacional do petróleo está entre os fatores que podem contribuir para a variação dos valores destinados aos municípios. Segundo o professor Marcelo Neves, doutor em Petróleo e Energia, os preços elevados do barril do tipo Brent podem favorecer novos aumentos nos repasses nos próximos meses.
“Houve um aumento em relação aos meses anteriores do royalty, mas nada ainda parecido com o que houve lá no início da guerra. Porém a tendência é de um crescimento para o mês que vem, e o próximo, em virtude dos altos preços do Brent que têm sido praticados”, explicou.
O Brent é uma das principais referências utilizadas no mercado internacional de petróleo. Como a cotação influencia o cálculo das compensações financeiras, mudanças nos preços podem refletir na arrecadação dos municípios produtores e beneficiários.
A possibilidade de novos aumentos, no entanto, não representa uma garantia. Além do preço internacional, o volume extraído e as regras de distribuição dos royalties também interferem no resultado final.
Declínio da produção na Bacia de Campos gera preocupação
Apesar da alta registrada em outubro, a redução da produção na Bacia de Campos é um ponto de atenção para o futuro das receitas regionais. Marcelo Neves avalia que a continuidade desse declínio pode comprometer a arrecadação caso não sejam realizados investimentos para sustentar ou ampliar a atividade.
“Mas isso depende também do volume de produção da Bacia de Campos, que está em declínio de produção. Necessitam de investimento por parte das operadoras justamente para que a produção se mantenha constante, se possível até aumentar essa produção”, afirmou.
A avaliação destaca o papel dos investimentos das empresas responsáveis pela exploração de petróleo e gás na região. A manutenção dos níveis de produção pode ajudar a preservar os repasses, enquanto eventuais quedas na extração podem reduzir os recursos destinados às cidades.
Dessa forma, o comportamento da arrecadação nos próximos meses dependerá tanto das condições do mercado internacional quanto da capacidade de manter a produção regional.
Royalties contribuem para financiar serviços públicos
Os recursos provenientes da exploração de petróleo têm peso nas receitas municipais e ajudam as prefeituras a custear diferentes despesas, incluindo serviços de saúde.
Em Campos dos Goytacazes, a demanda por atendimento médico não se limita aos moradores da cidade. Por funcionar como polo regional, o município também recebe pacientes de cidades vizinhas, ampliando a procura pelos serviços da rede pública.
Marcelo Neves chama atenção para essa característica e para o impacto que ela tem sobre os gastos municipais.
“Olha, as despesas dos municípios são altas, principalmente com relação à saúde. Visto que Campos como município polo atende não só os munícipes, os cidadãos aqui do município, mas os cidadãos de toda essa região aqui em volta”, disse.
O professor também ressaltou a importância das receitas provenientes das participações governamentais para ajudar a cobrir essas despesas.
Com o aumento dos repasses em outubro, Macaé, Campos dos Goytacazes e São João da Barra receberam um reforço financeiro. A evolução dos próximos pagamentos, porém, continuará sujeita às oscilações do petróleo e às condições de produção na Bacia de Campos.
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