Passar longos períodos no celular enquanto está deitado, sentado no sofá ou apoiado sobre o cotovelo pode parecer inofensivo. O problema não está exatamente no aparelho, mas na postura mantida durante muito tempo. Deixar o cotovelo excessivamente dobrado ou pressionado contra uma superfície pode aumentar a compressão sobre o nervo ulnar e provocar formigamento, dormência e, em casos mais avançados, perda de força na mão.
O nervo ulnar percorre a região interna do cotovelo e segue até a mão. É justamente ele o responsável por aquela sensação semelhante a um choque quando batemos o chamado “osso engraçado” do cotovelo. Por passar por uma região estreita e relativamente superficial, o nervo fica mais vulnerável à pressão e ao estiramento.
Quando o cotovelo permanece dobrado por períodos prolongados, o espaço por onde o nervo passa fica menor e aumenta a tensão sobre a estrutura. Isso pode acontecer durante o uso do celular, ao falar ao telefone por muito tempo, ao dormir com o braço flexionado ou quando a pessoa tem o hábito de apoiar constantemente os cotovelos sobre uma mesa ou braço de cadeira.
O quadro é conhecido como síndrome do túnel cubital, uma compressão do nervo ulnar na região do cotovelo. Os sintomas costumam aparecer inicialmente como formigamento ou dormência no dedo mínimo e em parte do dedo anelar. Algumas pessoas também sentem dor na parte interna do cotovelo ou percebem que os sintomas se intensificam à noite.
Nas fases iniciais, as sensações podem surgir apenas de vez em quando e desaparecer assim que a pessoa muda de posição. Isso ajuda a explicar por que o problema muitas vezes é ignorado. Quando a compressão se torna frequente ou prolongada, porém, os sintomas podem persistir e surgir dificuldades para segurar objetos, realizar movimentos delicados ou manter a força da mão.
Em casos mais graves e duradouros, a compressão do nervo pode levar à fraqueza muscular e até à diminuição do volume de alguns músculos da mão. Por isso, dormência, formigamento ou perda de força recorrentes não devem ser tratados apenas como uma consequência normal de passar muito tempo usando dispositivos eletrônicos.
Isso não significa que segurar o celular com o braço dobrado ocasionalmente causará uma lesão. O risco está relacionado principalmente à repetição e ao tempo mantido na mesma posição, além de características individuais e outras condições que também podem favorecer a compressão do nervo.
Algumas mudanças simples na rotina podem ajudar. Fazer pausas durante períodos prolongados de uso, alternar a mão que segura o aparelho, variar a postura e evitar manter o cotovelo muito flexionado são medidas úteis. Também é recomendável não apoiar continuamente a parte interna do cotovelo em superfícies rígidas.
Durante a noite, pessoas que já apresentam sintomas podem perceber piora ao dormir com os braços muito dobrados. Dependendo do caso, profissionais de saúde podem orientar adaptações para limitar a flexão excessiva do cotovelo enquanto a pessoa dorme. O tratamento inicial costuma envolver mudança de hábitos e redução das situações que provocam os sintomas; casos persistentes precisam de avaliação individualizada.
O diagnóstico é feito a partir da história clínica e do exame físico. Quando necessário, exames como eletroneuromiografia e estudos de condução nervosa podem ajudar a identificar o local e a intensidade da compressão e excluir outras causas de sintomas semelhantes.
A recomendação é procurar avaliação médica quando o formigamento ou a dormência se repetem, persistem mesmo depois de mudar a posição do braço ou são acompanhados por fraqueza, dificuldade para segurar objetos ou perda de coordenação da mão. Quanto mais cedo a causa for identificada, maior a possibilidade de evitar a progressão do comprometimento do nervo.
O celular, portanto, não precisa ser encarado como responsável direto pelo problema. A atenção deve estar no modo como o aparelho é utilizado. Permanecer durante horas na mesma posição, especialmente com o cotovelo muito dobrado ou pressionado, é que pode criar condições para irritação e compressão do nervo ulnar.
*Da Agência Fonte Exclusiva








