Moradores de Armação dos Búzios, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro, viveram momentos de apreensão na manhã de quarta-feira (14), após relatos de tremores acompanhados de fortes estrondos no bairro José Gonçalves. O episódio mobilizou a Defesa Civil municipal e voltou a levantar questionamentos sobre a origem de vibrações que já foram percebidas em outras ocasiões na cidade.
De acordo com os moradores, três tremores ocorreram por volta das 6h30, provocando vibrações nas estruturas de residências, inclusive em imóveis de dois pavimentos. Os barulhos, descritos como semelhantes a explosões, aumentaram a preocupação da população.
O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) registrou um abalo sísmico de magnitude 1,7 na região na mesma manhã. Apesar da confirmação da atividade sísmica, ainda não foi esclarecido se o registro está diretamente relacionado a todos os estrondos e tremores relatados pelos moradores.
Defesa Civil realiza vistorias em três praias
Após receber as informações, a Defesa Civil de Búzios realizou uma inspeção na faixa costeira entre as praias das Caravelas, José Gonçalves e Tucuns.
A vistoria contou com o apoio das secretarias municipais do Clima e Sustentabilidade e de Obras. Os técnicos percorreram a região e analisaram imagens para verificar possíveis alterações no terreno.
Segundo a Prefeitura, não foram identificados sinais de deslizamentos, desprendimento de rochas ou outras mudanças visíveis na costa durante a inspeção.
A administração municipal informou que continua acompanhando a situação e que a identificação da causa dos episódios dependerá de uma investigação técnica mais aprofundada.
Moradores relatam que tremores já ocorreram outras vezes
O episódio de quarta-feira não foi o primeiro a causar preocupação em José Gonçalves.
Em 2024, moradores do bairro também relataram vibrações no solo, registradas por câmeras de segurança particulares. Na ocasião, o Centro de Sismologia da USP chegou a analisar informações para verificar a possibilidade de atividade sísmica.
Em julho de 2026, novos relatos surgiram em diferentes bairros de Búzios, incluindo Cem Braças, Baía Formosa, Manguinhos, Geribá e José Gonçalves.
Moradores descreveram barulhos intensos e movimentos perceptíveis em portas, janelas e estruturas das casas. Os episódios anteriores não tiveram uma explicação técnica conclusiva divulgada pelas autoridades.
A repetição das ocorrências levou moradores a cobrar informações mais detalhadas sobre os fenômenos e eventuais riscos para as residências.
Terremoto, raio ou atividade humana? Causas ainda são investigadas
Entre as hipóteses consideradas pela Defesa Civil estão uma possível movimentação tectônica e a ocorrência de uma descarga elétrica atmosférica, diante dos relatos de estrondos semelhantes a explosões.
Moradores também mencionaram a possibilidade de atividades militares na região marítima próxima à cidade. Outras especulações envolvem operações relacionadas à exploração de petróleo e detonações em pedreiras.
Entretanto, não há confirmação de que qualquer uma dessas atividades tenha provocado os episódios.
O registro sísmico de magnitude 1,7 indica a ocorrência de um abalo de baixa intensidade. Tremores dessa magnitude normalmente apresentam baixo potencial de causar danos estruturais, embora possam ser percebidos dependendo da profundidade, da distância e das características do terreno.
A investigação deverá esclarecer se o abalo detectado pelos equipamentos está relacionado aos relatos feitos pela população.
Prefeitura mantém acompanhamento da região
A Prefeitura de Búzios informou que a área inspecionada não apresentava alterações visíveis até a última atualização divulgada.
A Defesa Civil deverá continuar acompanhando a situação, enquanto especialistas avaliam os dados disponíveis para determinar a origem das vibrações.
Moradores que identificarem rachaduras recentes, deslocamento de estruturas ou outros sinais de risco em seus imóveis devem evitar permanecer em áreas potencialmente comprometidas e procurar a Defesa Civil.
Embora o abalo sísmico tenha sido registrado, permanece sem conclusão a relação entre esse evento e os três tremores acompanhados de estrondos relatados pela comunidade.
*Da Agência Fonte Exclusiva








