Há 30 anos, o Brasil começou a mudar a forma como registra e apura seus votos. A urna eletrônica foi utilizada pela primeira vez nas eleições municipais de 1996 e, desde então, passou por sucessivas atualizações tecnológicas. Quatro anos depois, nas eleições municipais de 2000, o sistema eletrônico já era utilizado em todos os municípios brasileiros.
A primeira experiência aconteceu em 57 municípios, incluindo capitais, com exceção de Brasília, e cidades com mais de 200 mil eleitores. Em 1998, a votação eletrônica chegou a 537 municípios, ampliando gradualmente o alcance do sistema até a informatização completa do país.
A implantação foi conduzida pela Justiça Eleitoral e teve como uma das principais propostas tornar a votação e a apuração mais rápidas, além de criar mecanismos para reduzir a interferência humana em diferentes etapas do processo eleitoral.
Como a urna funciona
Uma das características do modelo brasileiro é que a urna eletrônica não fica conectada à internet durante a votação. O equipamento funciona de forma isolada de redes externas, enquanto os sistemas eleitorais utilizados no pleito passam por procedimentos de verificação, assinatura digital e lacração antes da eleição.
A segurança do processo também não depende apenas do equipamento no momento em que o eleitor digita o voto. A Justiça Eleitoral mantém diferentes etapas de fiscalização e auditoria, incluindo a inspeção dos códigos-fonte, testes públicos de segurança, preparação e lacração dos sistemas e testes de integridade das urnas.
Em 2026, as regras de auditoria também foram atualizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que regulamentou procedimentos relacionados à fiscalização do sistema eletrônico de votação. Entre eles estão o Teste de Integridade e o Teste de Integridade com Biometria.
Boletim de Urna permite conferir resultado da seção
Outro mecanismo importante é o Boletim de Urna (BU), documento impresso ao final da votação em cada seção eleitoral. Ele apresenta os resultados daquela seção e é afixado em local visível.
Também existe o Registro Digital do Voto (RDV), arquivo utilizado pela urna para registrar os votos de forma embaralhada. Esses mecanismos fazem parte das ferramentas utilizadas para verificar e auditar o processo de votação.
Ao longo dos anos, a urna também recebeu novas tecnologias e recursos de acessibilidade. A Justiça Eleitoral destaca que o equipamento passou por diferentes gerações e incorporou melhorias de hardware, software, biometria e mecanismos de auditoria.
Outros países também usam votação eletrônica
O voto eletrônico não é exclusividade do Brasil. Outros países adotam tecnologias para registrar ou contabilizar votos, mas os modelos variam de acordo com as regras eleitorais de cada lugar.
Na Venezuela, por exemplo, as máquinas utilizadas nas eleições possuem o chamado VVPAT, uma trilha de auditoria em papel. Depois de registrar o voto eletronicamente, o equipamento imprime um comprovante que pode ser conferido pelo eleitor antes de ser depositado em uma urna física.
Esse sistema combina o registro eletrônico com uma documentação impressa que pode ser utilizada em procedimentos de verificação. É, portanto, uma estrutura diferente daquela utilizada pela Justiça Eleitoral brasileira.
Urnas também entraram no debate político
Apesar dos mecanismos de fiscalização, a urna eletrônica passou a ocupar espaço importante nas disputas políticas e nas discussões sobre o processo eleitoral brasileiro.
Após as eleições presidenciais de 2022, Jair Bolsonaro fez questionamentos públicos sobre o sistema de votação. A Justiça Eleitoral, por sua vez, mantém que não houve comprovação de fraude capaz de alterar o resultado de eleições realizadas com o sistema eletrônico.
O assunto também passou a ser explorado por conteúdos falsos e enganosos nas redes sociais. Uma pesquisa do Projeto Confia, divulgada pela Agência Brasil em maio de 2026, apontou que mais de 45% dos conteúdos falsos sobre eleições analisados nos últimos ciclos eleitorais tinham como alvo o funcionamento das urnas eletrônicas.
Entre os conteúdos identificados estavam alegações falsas sobre o funcionamento do botão “confirma” e mensagens que afirmavam, sem fundamento, que a urna preencheria automaticamente números digitados pelo eleitor.
Inteligência artificial traz novo desafio
A popularização das ferramentas de inteligência artificial acrescentou outra preocupação ao cenário eleitoral. Sistemas capazes de produzir imagens, vídeos, áudios e textos cada vez mais realistas podem facilitar a criação e a circulação de conteúdos falsos relacionados às eleições.
Com isso, a discussão sobre segurança eleitoral passou a envolver não apenas a tecnologia utilizada para registrar os votos, mas também a qualidade das informações que chegam aos eleitores.
Em 2026, a urna eletrônica completa três décadas de utilização no Brasil. Nesse período, o equipamento passou por diferentes gerações, recebeu novos recursos e foi submetido a mecanismos de fiscalização e auditoria em várias etapas do processo eleitoral.
A história da urna, portanto, envolve tanto a evolução tecnológica da votação quanto os debates sobre transparência, fiscalização e desinformação que continuam acompanhando as eleições brasileiras.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








