Um médico gerou repercussão nas redes sociais após divulgar informações de um prontuário e fazer uma piada envolvendo a condição de saúde de um paciente. A publicação, feita no X, antigo Twitter, expôs dados clínicos que deveriam ser preservados pelo sigilo profissional.
Entre as informações divulgadas estavam peso, altura, índice de massa corporal (IMC) e uma doença respiratória. A exposição dos dados, acompanhada de comentários considerados depreciativos, levantou questionamentos sobre a conduta do médico e o respeito à privacidade dos pacientes.
O Hospital das Clínicas (HC) classificou o conteúdo como preconceituoso e informou que adotaria providências. A instituição, no entanto, não esclareceu se o profissional foi afastado de suas atividades.
Divulgação de prontuário levanta debate sobre sigilo médico
O prontuário reúne informações pessoais e clínicas utilizadas no acompanhamento da saúde do paciente. Seu conteúdo é protegido por regras de confidencialidade, e o acesso deve ficar restrito às pessoas autorizadas.
A divulgação dessas informações em redes sociais pode representar uma violação da privacidade, especialmente quando ocorre sem autorização e fora de uma finalidade relacionada ao atendimento.
Mesmo que o nome do paciente não seja divulgado, a combinação de dados clínicos e outras características pode permitir sua identificação.
No caso que ganhou repercussão, a exposição das informações foi acompanhada de uma piada sobre a condição de saúde da pessoa atendida, o que ampliou as críticas à postura do profissional.
Hospital anuncia providências
Após a repercussão da publicação, o Hospital das Clínicas se manifestou e informou que tomaria providências em relação ao episódio.
Apesar da manifestação, a instituição não esclareceu se o médico foi afastado, se houve abertura de procedimento administrativo ou quais medidas seriam adotadas.
Também não há confirmação, nas informações disponíveis, sobre eventual investigação pelo Conselho Regional de Medicina.
Código de Ética Médica prevê proteção das informações dos pacientes
O Código de Ética Médica estabelece que os profissionais devem preservar o sigilo das informações obtidas durante o exercício da profissão, ressalvadas as exceções previstas nas normas.
A divulgação de casos clínicos que permitam identificar pacientes também está sujeita a restrições, inclusive em publicações feitas pela internet.
Além das normas profissionais, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) classifica informações referentes à saúde como dados pessoais sensíveis, que exigem proteção especial.
A eventual responsabilização do médico depende da apuração das circunstâncias da publicação, incluindo a identificação dos dados expostos e a existência ou não de autorização para sua divulgação.
Respeito ao paciente deve fazer parte do atendimento
O episódio também trouxe à discussão o preconceito relacionado ao peso corporal e a outras condições de saúde.
Comentários depreciativos sobre características físicas ou diagnósticos podem comprometer a confiança entre médicos e pacientes, além de causar constrangimento a pessoas que procuram atendimento.
A relação médico-paciente exige respeito, confidencialidade e cuidado com informações compartilhadas durante consultas e procedimentos.
Até o momento, não foi esclarecido se o profissional envolvido sofreu alguma medida disciplinar em decorrência da publicação.
*Da Agência Fonte Exclusiva








