A FIFA poderá contratar uma avaliação independente de sua estrutura de governança após a repercussão provocada pelo projeto de investimentos privados que acabou retirado pela entidade. O presidente Gianni Infantino informou que pretende consultar o Conselho da organização sobre a realização de uma revisão externa dos processos utilizados em decisões estratégicas.
A proposta foi apresentada em uma carta encaminhada ao Conselho da FIFA e às 211 associações-membro. Infantino também sugeriu abrir conversas com confederações, federações nacionais e outros representantes do futebol para discutir possíveis mudanças na forma como iniciativas de grande impacto são analisadas e aprovadas.
Revisão pode analisar poderes dentro da FIFA
Entre os pontos que poderão entrar na avaliação estão as funções exercidas pelo presidente, pelo Bureau, pelo Conselho e pelo Congresso da FIFA.
A ideia é discutir mecanismos relacionados à transparência, participação das associações e responsabilização nos processos internos. As sugestões apresentadas pelas entidades poderão ser analisadas na reunião do Conselho marcada para 15 de outubro de 2026.
Caso o processo resulte em alterações no estatuto da FIFA, as mudanças ainda precisarão seguir os procedimentos internos e passar pela aprovação do Congresso.
Projeto de investimento foi abandonado
A discussão ganhou força após a retirada do FIFA Forward Enterprise (FFE), proposta que previa reorganizar as operações comerciais da entidade e permitir a entrada de investidores externos em uma estrutura controlada pela própria FIFA.
O projeto previa a captação de recursos por meio de participações minoritárias e não controladoras na nova estrutura, com o objetivo de ampliar o financiamento destinado ao desenvolvimento do futebol. A proposta envolvia direitos comerciais ligados às competições da FIFA, incluindo propriedades relacionadas à Copa do Mundo.
Depois da reação de diferentes setores do futebol, a FIFA anunciou em 31 de julho que o projeto não seguiria adiante. A entidade afirmou que a proposta havia provocado divisões incompatíveis com o objetivo inicial de ampliar os investimentos no futebol mundial.
UEFA, AFC e Concacaf estiveram entre as confederações que manifestaram preocupação com o projeto e defenderam mudanças na condução da entidade.
Dirigentes questionam proposta de Infantino
A iniciativa de revisão, no entanto, não encerrou as críticas ao presidente da FIFA.
Segundo a Reuters, dirigentes das federações da Alemanha, Holanda, Suécia e País de Gales avaliaram que as medidas anunciadas não solucionam todas as questões envolvendo a governança e a liderança da organização.
O presidente da Federação Alemã de Futebol, Bernd Neuendorf, afirmou que considera a iniciativa de Infantino uma estratégia relacionada à sua tentativa de permanecer no comando da FIFA. Já a Federação Holandesa reconheceu que parte das propostas coincide com reivindicações anteriores, mas declarou que a confiança na liderança da entidade ainda não foi recuperada.
Outros dirigentes também defenderam mudanças mais amplas na estrutura de poder da FIFA. O debate passou a envolver não apenas o projeto de investimentos, mas também a forma como decisões estratégicas são apresentadas, discutidas e aprovadas.
Eleição está prevista para 2027
Infantino, por sua vez, afirmou que continua comprometido com a direção da FIFA e com o processo de diálogo com as associações-membro.
A eleição para a presidência da entidade está prevista para março de 2027, em Rabat, no Marrocos. O suíço busca um novo mandato e tem recebido críticas de dirigentes que defendem alterações na estrutura de governança da organização.
A revisão independente proposta por Infantino ainda depende da avaliação do Conselho da FIFA. A reunião de 15 de outubro deverá ser um dos próximos momentos para definir como o debate sobre possíveis mudanças na governança da entidade irá avançar.
*Da Agência Fonte Exclusiva








