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Dez anos de prótese: quando é hora de trocar o silicone

Implantes não duram para sempre, mas o tempo de uso sozinho não determina a necessidade de uma nova cirurgia.

redacao Por redacao
17/09/2026 - 18:45
em Saúde
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Completar dez anos com próteses de silicone costuma trazer uma pergunta quase automática: chegou a hora de trocar os implantes? A resposta não depende apenas do calendário.

Implantes mamários não são dispositivos feitos para durar a vida inteira, mas também não existe uma regra médica determinando que todos precisem ser substituídos exatamente depois de dez anos. A decisão deve levar em conta o estado da prótese, os exames de acompanhamento, os sintomas apresentados e a avaliação individual de cada paciente.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informa que, em média, um implante mamário apresenta vida útil de dez a 15 anos. Isso não significa, porém, que a troca seja obrigatória ao atingir esse período. Algumas próteses podem precisar ser substituídas antes por ruptura, contratura capsular ou outras complicações, enquanto outras podem permanecer por mais tempo sem apresentar problemas.

A Food and Drug Administration, agência reguladora dos Estados Unidos, também destaca que os implantes não devem ser considerados dispositivos permanentes. Quanto maior o tempo de uso, maior a possibilidade de a paciente precisar de uma nova cirurgia para removê-los ou substituí-los.

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Dez anos não são prazo de validade

A ideia de que toda prótese precisa obrigatoriamente ser retirada depois de uma década vem, em parte, do fato de muitas pacientes necessitarem de alguma intervenção nessa faixa de tempo.

A Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos explica que muitas substituições acontecem entre dez e 15 anos, mas ressalta que não há uma data universal para todas as pacientes. Existem mulheres que permanecem com os mesmos implantes por períodos maiores, desde que estejam bem e sejam acompanhadas regularmente.

O ponto principal, portanto, não é perguntar apenas quantos anos a prótese tem, mas em que condições ela se encontra.

Ruptura pode acontecer sem sintomas

Um dos principais motivos para a troca é a ruptura do implante.

Nos implantes preenchidos com gel de silicone, o problema pode passar despercebido. É a chamada ruptura silenciosa. A mama pode continuar praticamente com o mesmo formato, e nem sempre o problema é percebido no exame físico.

Quando existem sintomas, podem aparecer alteração no formato ou tamanho da mama, caroços, dor, sensibilidade, inchaço, dormência, sensação de queimação ou mudança na consistência da região.

Com o passar dos anos, a probabilidade de ruptura aumenta. Por isso, o acompanhamento por imagem ganha importância mesmo quando a paciente não percebe nenhuma alteração.

Quando fazer ultrassom ou ressonância

Para mulheres com implantes de gel de silicone e sem sintomas, a recomendação atual da FDA é realizar o primeiro ultrassom ou ressonância magnética entre cinco e seis anos depois da cirurgia. Depois disso, o controle deve ser repetido a cada dois ou três anos.

Caso existam sintomas ou um ultrassom apresente resultado duvidoso para ruptura, a ressonância magnética é indicada para uma avaliação mais detalhada.

Esses exames têm uma finalidade diferente da mamografia. A mamografia continua sendo utilizada para o rastreamento do câncer de mama de acordo com idade e fatores de risco da paciente. Quem possui implantes deve informar a presença das próteses ao serviço de diagnóstico antes do exame.

Contratura capsular também pode levar à troca

Depois da colocação do implante, o organismo naturalmente forma uma cápsula de tecido cicatricial ao redor da prótese.

Em algumas mulheres, essa cápsula endurece e aperta o implante. É a chamada contratura capsular. Dependendo da intensidade, a mama pode ficar mais dura, dolorida ou com formato diferente.

Nos casos mais importantes, pode haver indicação de cirurgia para retirada ou substituição da prótese e tratamento da cápsula.

Mudança de posição, assimetria, infecção persistente, deformidade, dor ou desejo da própria paciente de retirar ou substituir o implante também podem levar à cirurgia de revisão.

Sinais que não devem ser ignorados

Uma alteração que surge anos depois da cirurgia merece avaliação médica, principalmente quando ocorre apenas em uma das mamas.

Aumento repentino do volume, inchaço persistente, acúmulo de líquido, endurecimento, dor, caroço ou mudança importante no formato devem ser investigados.

Além das complicações mais comuns, autoridades de saúde acompanham condições raras relacionadas à cápsula que se forma ao redor dos implantes.

Entre elas está o linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante mamário, conhecido pela sigla BIA-ALCL. O problema não é um câncer de mama e aparece principalmente associado a determinados implantes de superfície texturizada. Inchaço persistente ou acúmulo tardio de líquido ao redor da prótese estão entre os sinais que precisam ser avaliados.

A FDA também recebeu relatos raros de carcinoma de células escamosas e outros linfomas na cápsula ao redor de implantes. A agência, porém, não recomenda que mulheres sem sintomas removam suas próteses exclusivamente por medo dessas condições raras.

E quem está bem depois de dez anos?

Uma paciente que completou dez anos com silicone, não apresenta sintomas e possui exames normais não precisa concluir automaticamente que chegou o momento de operar.

O caminho indicado é manter o acompanhamento, verificar qual é o modelo e o fabricante do implante, revisar os exames anteriores e discutir com o cirurgião plástico se existe alguma alteração clínica ou radiológica.

Também é importante guardar o cartão ou documento da prótese. Essas informações ajudam a identificar modelo, fabricante e características da superfície do implante caso seja necessária alguma avaliação específica no futuro.

Se houver ruptura confirmada, contratura capsular importante, infecção, deslocamento relevante ou outro problema relacionado à prótese, a retirada ou substituição pode ser indicada.

O aniversário de dez anos do implante funciona muito mais como um lembrete para reforçar a vigilância do que como uma contagem regressiva obrigatória para outra cirurgia.

A Anvisa destaca que implantes mamários necessitam de monitoramento contínuo ao longo de sua utilização.

Em outras palavras, a prótese pode completar dez anos e continuar em boas condições, mas não deve desaparecer do radar médico. A decisão sobre manter, retirar ou trocar precisa ser individualizada, baseada em sintomas, exames e avaliação especializada.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #ContraturaCapsular#PróteseMamária#RessonânciaMagnética#RupturaDeImplante
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