Morreu nesta terça-feira (15), aos 81 anos, Amelinha Teles, uma das principais referências da resistência à ditadura militar brasileira e da luta pelos direitos das mulheres. Presa em dezembro de 1972, aos 27 anos, ela foi levada para a Operação Bandeirantes (Oban), em São Paulo, onde foi submetida a torturas durante a repressão política.
De acordo com registros do projeto Memórias da Ditadura, Amelinha foi torturada sob o comando do então major do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, que chefiava o DOI-Codi de São Paulo. Seu marido, César Augusto Teles, também foi preso e levado ao órgão de repressão, assim como o militante Carlos Nicolau Danielli, cuja morte foi presenciada por Amelinha.
A repressão também atingiu os filhos do casal. Edson e Janaína, então com 4 e 5 anos, foram sequestrados e levados para a Oban. As crianças presenciaram as sessões de tortura sofridas pelos pais.
Atuação feminista após a ditadura
Com o fim do regime militar, Amelinha continuou atuando na política e se consolidou como uma das vozes importantes do movimento feminista brasileiro.
Na década de 1970, participou do Jornal Brasil Mulher, publicação que ajudou a organizar e ampliar o debate sobre os direitos das mulheres em um período de forte repressão política.
Como advogada e formadora de Promotoras Legais Populares, também trabalhou na capacitação de mulheres para o acesso à Justiça e participou de iniciativas de enfrentamento à violência de gênero.
Sua atuação esteve ligada ainda à mobilização que contribuiu para avanços na proteção das mulheres e para a construção de políticas de enfrentamento à violência doméstica, incluindo a luta que resultou na Lei Maria da Penha.
Luta pela memória das vítimas da ditadura
A preservação da memória do período militar permaneceu como uma das principais bandeiras de Amelinha ao longo das décadas seguintes.
Ela participou do podcast Perdas e Danos, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em uma temporada dedicada às consequências da ditadura iniciada com o golpe de 1964 e aos grupos e pessoas que se beneficiaram do regime.
A ativista também integrou uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) sobre a responsabilidade de empresas em violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura.
Em seus depoimentos e manifestações públicas, Amelinha defendia que as violações cometidas durante o regime deveriam ser conhecidas pelas novas gerações. Para ela, o enfrentamento do passado era parte da construção de uma sociedade democrática e da prevenção de novos períodos de autoritarismo.
Legado na defesa dos direitos humanos
A morte de Amelinha Teles foi lembrada por organizações ligadas aos direitos das mulheres e à defesa da democracia. Entidades que acompanharam sua trajetória destacaram sua participação em diferentes frentes de luta ao longo de décadas.
Seu legado reúne a resistência à ditadura, a busca por memória e justiça para as vítimas da repressão e a defesa dos direitos das mulheres.
A trajetória de Amelinha atravessou diferentes períodos da história brasileira sem se afastar de uma mesma pauta: a defesa das liberdades democráticas e o combate às violações de direitos humanos.
*Da Agência Fonte Exclusiva








