Macaé voltou aos holofotes em um levantamento nacional sobre gestão pública. Em entrevista ao Direto da Redação, o prefeito Welberth Rezende comentou o primeiro lugar conquistado pelo município nos indicadores fiscais entre as grandes cidades do Sudeste e defendeu o controle rigoroso dos gastos públicos.
O reconhecimento faz parte do ranking “As Melhores Cidades do Brasil 2026”, elaborado pela Austin Rating para a VEJA Negócios. No recorte que considera municípios do Sudeste com mais de 200 mil habitantes, Macaé ficou em primeiro lugar tanto em Indicadores Fiscais – Geral quanto em Capacidade de Pagamento.
O levantamento analisou os 5.570 municípios brasileiros por meio de 253 indicadores distribuídos entre os pilares fiscal, econômico, social e digital. A edição de 2026 também passou a apresentar resultados separados por regiões e porte dos municípios.
Durante a entrevista, Welberth afirmou que o resultado deve ser visto menos como motivo de celebração pessoal e mais como um sinal de que a administração conseguiu manter as contas organizadas.
“Não é porque arrecada muito que pode gastar mais do que arrecada. Vai dar problema”, afirmou o prefeito ao comentar a necessidade de equilíbrio entre receitas e despesas.
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Orçamento passa de R$ 5 bilhões em 2026
Ao falar sobre o tamanho da máquina pública, o prefeito mencionou um orçamento próximo de R$ 6 bilhões. Os dados oficiais da Secretaria de Planejamento de Macaé mostram que o orçamento previsto para 2026 é de R$ 5,104 bilhões. Para 2029, a previsão no Plano Plurianual chega a R$ 5,976 bilhões.
A Saúde concentra uma das maiores fatias do orçamento municipal em 2026, com cerca de R$ 1,1 bilhão previstos.
Para Welberth, uma arrecadação elevada não elimina a necessidade de cautela na administração.
“Tem que ter responsabilidade porque, se eu arrecadar muito e gastar mais do que arrecado, vai dar problema”, disse.
Ranking mede situação fiscal
O desempenho de Macaé não se limita ao recorte das grandes cidades. Quando todos os municípios do Sudeste são considerados, independentemente do tamanho da população, Macaé também aparece em primeiro lugar em Indicadores Fiscais – Geral e em segundo lugar em Capacidade de Pagamento.
Outro indicador reforça esse cenário. Macaé possui Nota A na Capacidade de Pagamento, a Capag, classificação utilizada pelo Tesouro Nacional para avaliar a situação fiscal de estados e municípios e a capacidade de assumir operações de crédito com garantia da União.
O prefeito associou os resultados à capacidade de manter despesas sob controle sem interromper investimentos e políticas públicas.
“Esse ranking quer dizer que a gente administra bem o dinheiro, mas, acima de tudo, que a gente tem responsabilidade com a coisa pública”, afirmou.
Transparência também aparece em avaliações
Macaé também recebeu classificação “Ótimo” no Ranking de Transparência e Governança Pública de 2026, com 80,79 pontos. O levantamento colocou o município entre seis cidades fluminenses que alcançaram a faixa mais elevada da avaliação.
O município ainda foi finalista estadual do Prêmio Band Cidades Excelentes de 2025 na categoria Governança, Eficiência Fiscal e Transparência. Na etapa nacional daquele ano, porém, a vencedora da categoria entre municípios acima de 100 mil habitantes foi Vitória, no Espírito Santo.
Em 2025, Macaé também recebeu o primeiro lugar no 3º Reconhecimento Nacional da Excelência na Governança e na Gestão Pública, promovido pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, na categoria destinada a administrações municipais não capitais de porte semelhante.
Investimentos privados entram na discussão
Na entrevista, Welberth também destacou o momento econômico da cidade e voltou a afirmar que Macaé concentra cerca de um terço dos investimentos privados do Estado do Rio de Janeiro.
A estimativa já vinha sendo divulgada pela administração municipal em anos anteriores e continua sendo utilizada pela Prefeitura ao apresentar o peso econômico de Macaé, especialmente nos setores de petróleo, gás e energia.
Para o prefeito, crescimento econômico e aumento de receitas precisam caminhar junto com fiscalização e planejamento.
“Onde tem muito dinheiro, se abre porta para um monte de coisa. Se você não tem uma boa gestão fiscal, se você não fiscalizar, obviamente vai ter problema”, afirmou.
O desafio agora é transformar os bons indicadores fiscais em resultados percebidos pela população. O próprio prefeito reconheceu durante a entrevista que o ranking não mede isoladamente a qualidade da saúde, educação ou transporte, embora esses serviços dependam diretamente da capacidade do município de organizar receitas, despesas e investimentos.
*Da Agência Fonte Exclusiva








