Depois de anos de redução no consumo de cigarros no Brasil, os dados mais recentes acenderam um sinal de alerta. O tabagismo voltou a crescer entre os adultos das capitais e do Distrito Federal, com uma alta importante também entre as mulheres.
Segundo o Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde, 7,3% das mulheres entrevistadas eram fumantes em 2023. Em 2024, o percentual chegou a 9,5%. Entre os homens, a taxa passou de 11,6% para 13,9% no mesmo período. No conjunto da população adulta pesquisada, 11,5% declararam fumar em 2024.
Apesar do crescimento recente, o cenário de longo prazo ainda mostra uma redução expressiva. Em 2006, 12,4% das mulheres eram fumantes, contra 9,5% em 2024. Na população adulta em geral, a taxa caiu de 15,7% para 11,5% desde o início da série histórica. O resultado reflete medidas como restrições à propaganda, ambientes livres de fumaça, advertências nas embalagens e programas para quem deseja abandonar o cigarro.
O problema é que os danos provocados pelo tabagismo não desaparecem imediatamente quando a pessoa para de fumar. Algumas doenças podem ser diagnosticadas anos depois, consequência da exposição acumulada às substâncias tóxicas durante o período em que o cigarro fez parte da rotina.
O tabagismo está relacionado a diferentes tipos de câncer, além de enfisema pulmonar, infarto, acidente vascular cerebral e outras doenças graves. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, o cigarro está associado a cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão.
Isso não significa que abandonar o cigarro deixe de trazer benefícios para quem fumou durante muitos anos. Pelo contrário. O organismo começa a apresentar melhoras logo após a interrupção do consumo e os riscos de várias doenças diminuem progressivamente. O Inca destaca que parar de fumar vale a pena em qualquer fase da vida, inclusive para pessoas que já desenvolveram doenças relacionadas ao tabaco.
Mulheres exigem atenção especial
Além dos riscos comuns a homens e mulheres, o tabagismo pode afetar a saúde reprodutiva feminina. Durante a gravidez, fumar está relacionado a maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer, complicações placentárias e outros problemas para a gestante e o bebê.
O perigo também existe para quem não fuma. O chamado fumo passivo ocorre quando uma pessoa respira a fumaça produzida por cigarros de outras pessoas. Segundo o Inca, não existe nível seguro de exposição à fumaça do tabaco. Gestantes expostas ao fumo passivo também apresentam riscos maiores de complicações e de bebês com baixo peso ao nascer.
Cigarros eletrônicos ampliam preocupação
Outra frente de preocupação é o crescimento dos cigarros eletrônicos, principalmente entre os jovens. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre brasileiros de 18 a 24 anos, a frequência de pessoas que fumavam ou utilizavam dispositivos eletrônicos passou de 7,4% em 2019 para 10,1% em 2024, o maior percentual registrado na série para essa faixa etária.
Vapes, pods e outros dispositivos eletrônicos não são alternativas sem risco. A Anvisa alerta para dependência de nicotina, doenças pulmonares, problemas cardiovasculares e exposição a substâncias tóxicas, incluindo formaldeído, acroleína e metais pesados.
A fabricação, importação, comercialização, distribuição e propaganda desses produtos continuam proibidas no Brasil. A proibição, existente desde 2009, foi mantida e atualizada pela Anvisa por meio da RDC nº 855/2024.
Para quem deseja abandonar o cigarro, o Sistema Único de Saúde oferece tratamento gratuito. O atendimento pode envolver acompanhamento profissional, abordagem para mudança de comportamento e, quando indicado, medicamentos para auxiliar no controle da dependência da nicotina.
*Da Agência Fonte Exclusiva.







