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COP17 termina sem acordo global para enfrentar avanço das secas no mundo

Conferência da ONU na Mongólia não conseguiu consenso para criar mecanismo internacional de combate aos impactos da estiagem.

redacao Por redacao
30/08/2026 - 17:27
em Mundo
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COP17 terminou sem acordo internacional contra as secas. Países adiaram negociações sobre financiamento e medidas para enfrentar a escassez de água.

Imagem: Reprodução/ Agência Brasil

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A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) terminou nesta sexta-feira (28), em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, sem um acordo entre os países para a criação de um mecanismo internacional específico de enfrentamento às secas.

A falta de consenso gerou críticas de organizações ambientais, especialistas e representantes da sociedade civil. A avaliação é de que o impasse ocorre justamente quando diferentes partes do mundo enfrentam períodos cada vez mais severos de escassez de água e eventos climáticos extremos.

Para Rafael Giovanelli, especialista do Instituto Escolhas, os governos deixaram para a próxima conferência uma questão que já exige respostas urgentes. A COP18 será realizada no Egito.

Na avaliação do especialista, o encerramento das negociações sem uma decisão concreta representa uma oportunidade perdida para avançar em medidas capazes de proteger populações, atividades econômicas e territórios mais vulneráveis aos efeitos da estiagem.

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Richard Lee, da Wetlands International, também lamentou a falta de acordo. Segundo ele, diversas regiões já convivem com níveis preocupantes de escassez hídrica, enquanto as projeções climáticas indicam a possibilidade de novos episódios extremos.

Entre os exemplos citados estão a seca histórica registrada em partes da Europa e a redução dos níveis do Rio Colorado, nos Estados Unidos. Lee também chamou atenção para os possíveis efeitos do chamado Super El Niño, que pode aumentar o risco de estiagens em regiões que vão do sul da África à Amazônia.

Para o especialista, a demora na adoção de medidas coordenadas pode ampliar os prejuízos para comunidades que dependem diretamente da água e para setores econômicos afetados por períodos prolongados de seca.

Christine Colvin, especialista em políticas de água da WWF Global, defendeu a continuidade da cooperação entre governos, organizações da sociedade civil e instituições financeiras. Ela ressaltou, porém, que iniciativas isoladas não substituem um compromisso internacional capaz de coordenar ações em escala global.

Países divergem sobre mecanismo internacional

A criação de um instrumento multilateral voltado especificamente para o combate às secas é uma reivindicação apresentada por países africanos há pelo menos três conferências da ONU.

A África está entre as regiões historicamente mais afetadas pela falta de água e pela degradação do solo. Por isso, países do continente defendem a criação de mecanismos que permitam ampliar os investimentos em prevenção, preparação e recuperação após períodos de estiagem.

Uma das principais dificuldades nas negociações está justamente no financiamento.

Países desenvolvidos resistem à criação de obrigações financeiras consideradas vinculantes e defendem modelos baseados em contribuições voluntárias.

A União Europeia, que também enfrenta episódios de seca em seu território, está entre os blocos que demonstram cautela em assumir novos compromissos financeiros para programas destinados a outros países.

A discussão deve continuar nas próximas etapas das negociações internacionais sobre desertificação, degradação dos solos e escassez hídrica.

Conferência apresentou alternativas

Apesar do impasse sobre um acordo global, a COP17 também foi palco do anúncio de iniciativas destinadas a melhorar a capacidade dos países de enfrentar períodos de escassez de água.

Uma delas é o Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF), desenvolvido pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), em parceria com Luxemburgo e com apoio da Aliança Internacional para a Resiliência à Seca (IDRA).

A proposta pretende mobilizar até US$ 400 milhões em recursos públicos e privados. Os investimentos poderão ser destinados a projetos de segurança hídrica, agricultura sustentável, recuperação de áreas degradadas e soluções baseadas na natureza.

Outra iniciativa apresentada durante a conferência foi a segunda etapa do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (IDRO), que passou a contar com o primeiro Índice de Resiliência à Seca (DRI).

A ferramenta foi criada para ajudar os países a avaliar sua capacidade de antecipar períodos de escassez, preparar respostas e adaptar estruturas para reduzir os impactos provocados pelas secas.

Decisões ficam para a próxima conferência

As novas iniciativas apresentadas durante a COP17 podem contribuir para melhorar a preparação de governos e comunidades, mas não substituem o acordo internacional defendido por organizações e especialistas.

Com o encerramento da conferência sem consenso sobre um mecanismo global específico, as negociações deverão continuar na COP18, no Egito.

Para entidades ambientais, o desafio será transformar as discussões em compromissos concretos, especialmente em relação ao financiamento e ao apoio aos países mais vulneráveis.

Enquanto isso, o avanço da escassez hídrica e a ocorrência de secas mais intensas reforçam a pressão por respostas internacionais capazes de antecipar os impactos e reduzir os danos sociais, ambientais e econômicos provocados pela falta de água.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #AgriculturaSustentável#Amazônia#AquecimentoGlobal#COP17#CriseClimática#Desertificação#ElNino#EscassezDeAgua#MeioAmbiente#MeioAmbienteBrasil#Mongólia#MudançasClimáticas#ResiliênciaClimática
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