O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, pretende ampliar o uso de tecnologia em suas operações com a compra de robôs Spot, equipamentos de quatro patas fabricados pela Boston Dynamics e conhecidos popularmente como “cães-robôs”.
A previsão de investimento varia entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões e inclui a aquisição dos robôs e de acessórios. O planejamento aparece no sistema de compras do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, o DHS.
O aviso foi publicado em 27 de agosto e classifica a aquisição como uma nova necessidade do ICE. A contratação ainda não foi concluída. O governo americano prevê abrir oficialmente o processo no início de setembro.
O documento não informa quantos robôs serão comprados.
Robôs devem entrar primeiro em locais perigosos
A principal função dos equipamentos será reduzir a exposição dos agentes a situações de risco.
Os robôs poderão ser controlados à distância e enviados para locais confinados, estruturas instáveis ou áreas de difícil acesso antes da entrada das equipes.
Com câmeras e sensores, o Spot pode transmitir informações do ambiente em tempo real, permitindo que os agentes avaliem possíveis ameaças antes de avançar.
A ideia é que o equipamento funcione como uma espécie de reconhecimento antecipado em operações consideradas perigosas.
O Spot consegue subir escadas, atravessar terrenos irregulares e circular em locais onde robôs tradicionais sobre rodas teriam dificuldade.
Dependendo da configuração, também pode receber câmeras mais potentes, sensores específicos e um braço mecânico capaz de abrir portas, movimentar objetos e executar tarefas remotamente.
Tecnologia já é usada por forças de segurança
A Boston Dynamics apresenta o Spot como uma ferramenta voltada para diferentes situações de segurança pública.
Entre as aplicações citadas pela empresa estão inspeções de pacotes suspeitos, ocorrências envolvendo pessoas armadas, busca em estruturas danificadas e identificação de possíveis ameaças químicas, biológicas ou radiológicas.
O robô também pode ser usado para observar um ambiente sem que agentes precisem entrar imediatamente em uma área considerada perigosa.
Equipamentos semelhantes já foram adotados por departamentos policiais e equipes especializadas nos Estados Unidos.
O modelo também ganhou destaque quando unidades do Spot foram vistas em operações de segurança envolvendo propriedades do presidente Donald Trump.
ICE ainda não detalhou onde robôs serão usados
O governo americano informa que o contrato deverá ter execução em Fort Benning, no estado da Geórgia.
Ainda não há detalhes sobre quais unidades do ICE receberão os equipamentos primeiro ou se os robôs serão empregados diretamente em operações de fiscalização migratória.
A descrição oficial da compra se concentra em inspeção, reconhecimento, avaliação de riscos e proteção dos agentes.
Também não há indicação de que os equipamentos sejam armados.
A Boston Dynamics afirma que proíbe a transformação de seus robôs de uso geral em plataformas de armamento. A empresa também diz que não autoriza o uso dos equipamentos para intimidar pessoas ou violar leis de privacidade e direitos civis.
Compra ocorre após polêmica com luvas elétricas
O planejamento para adquirir os robôs Spot ocorre poucos dias depois de outra compra do ICE provocar forte repercussão nos Estados Unidos.
A agência fechou um contrato milionário para adquirir milhares de luvas capazes de produzir estímulos elétricos quando colocadas em contato com a pele.
Os equipamentos são fabricados pela Compliant Technologies e foram desenvolvidos para auxiliar agentes no controle de pessoas durante situações consideradas de resistência.
A compra provocou críticas de organizações de defesa dos direitos civis e de parlamentares americanos.
Os questionamentos estão ligados principalmente ao risco de uso excessivo da força, à necessidade de treinamento adequado e à fiscalização sobre a utilização dos equipamentos.
O governo americano, por outro lado, sustenta que as luvas podem oferecer aos agentes uma alternativa a formas mais graves de contenção.
Tecnologia ganha espaço nas operações
A possível compra dos robôs Spot reforça uma tendência cada vez mais presente em forças policiais e órgãos de segurança: o uso de máquinas para entrar primeiro em situações consideradas perigosas.
Esse tipo de equipamento permite que uma equipe acompanhe o ambiente à distância antes de tomar uma decisão.
No caso do ICE, a proposta oficial é diminuir os riscos enfrentados pelos agentes e ampliar as informações disponíveis durante uma operação.
Ao mesmo tempo, o investimento deve aumentar o debate sobre os limites do uso de robótica e outras tecnologias nas ações de fiscalização e segurança nos Estados Unidos.
Se o cronograma do governo for mantido, o processo para aquisição dos robôs deverá avançar a partir de setembro.
*Da Agência Fonte Exclusiva








