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Pressão para emagrecer leva uso de canetas à adolescência e preocupa pediatras

Entidade chama atenção para perda de massa muscular, impactos no crescimento e risco de transtornos alimentares quando medicamentos são usados sem indicação e acompanhamento adequados

redacao Por redacao
30/08/2026 - 15:57
em Saúde
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Sociedade Brasileira de Pediatria alerta para perda muscular, impactos no crescimento e transtornos alimentares ligados ao uso inadequado de canetas.

Imagem | Divulgação

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A popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” chegou também ao público mais jovem — e a forma como esses medicamentos vêm sendo apresentados nas redes sociais preocupa especialistas.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou neste mês um alerta sobre o uso inadequado desses medicamentos por crianças e adolescentes. O foco da entidade não é condenar tratamentos que tenham indicação médica, mas chamar atenção para um cenário em que medicamentos usados contra obesidade e diabetes passam a ser vistos como um atalho para emagrecer.

Na adolescência, essa diferença é especialmente importante. O organismo ainda está em desenvolvimento, e uma redução importante da ingestão de alimentos sem acompanhamento adequado pode comprometer a oferta de proteínas, minerais e outros nutrientes necessários nessa fase.

Entre os riscos apontados pela SBP estão perda de massa muscular, desidratação, alterações de eletrólitos e possíveis prejuízos ao crescimento e ao desenvolvimento. Náuseas, vômitos, refluxo, diarreia e constipação também aparecem entre os efeitos adversos mais frequentes dessa classe de medicamentos.

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Há ainda eventos menos comuns, mas potencialmente graves, como pancreatite, hipoglicemia e problemas na vesícula.

A preocupação vai além dos efeitos físicos.

Quando emagrecer passa a ser tratado como requisito para atingir determinado padrão corporal, o uso desses medicamentos pode se misturar a questões de autoestima e imagem corporal. A SBP alerta que o uso com finalidade exclusivamente estética pode funcionar como gatilho para transtornos alimentares, incluindo anorexia e bulimia, além de estar relacionado a sofrimento psicológico envolvendo a própria aparência.

Não é uma proibição para todos os adolescentes

Um ponto importante costuma desaparecer nas discussões sobre o assunto: alguns desses medicamentos possuem indicação pediátrica aprovada no Brasil.

Segundo a SBP, liraglutida e semaglutida podem ser utilizadas para tratamento da obesidade em adolescentes a partir dos 12 anos, desde que preenchidos os critérios específicos de indicação. A tirzepatida também possui uso pediátrico aprovado, mas para tratamento do diabetes tipo 2 em crianças a partir dos 10 anos — não como tratamento da obesidade infantil.

Isso significa que idade ou peso, isoladamente, não determinam se uma criança ou adolescente deve receber esse tipo de medicamento.

A decisão envolve diagnóstico, histórico clínico, gravidade do quadro, presença de outras doenças, tratamentos já realizados, possíveis riscos e capacidade de acompanhamento ao longo do processo.

A própria SBP defende uma mudança na maneira como o assunto é tratado. Em vez de “canetas emagrecedoras”, a entidade recomenda falar em “medicamentos para tratar a obesidade”.

A escolha das palavras não é apenas técnica. Ao reduzir o tratamento à ideia de emagrecer, cria-se a impressão de que o medicamento pode ser usado por qualquer pessoa insatisfeita com o próprio corpo. A obesidade, porém, é uma doença crônica e seu tratamento não se resume à perda rápida de peso.

Redes sociais ampliam pressão estética

A preocupação se torna ainda maior diante da circulação de conteúdos nas redes sociais mostrando o uso desses medicamentos como parte de rotinas de emagrecimento.

Para crianças e adolescentes, que ainda estão construindo identidade e autoestima, a exposição constante a padrões corporais pode transformar uma questão médica em uma busca estética.

Canetas emagrecedoras podem ser indicadas em alguns casos na adolescência, mas uso estético e sem acompanhamento preocupa pediatras.
Imagem | Divulgação

Por isso, os especialistas desaconselham o uso para emagrecer antes de festas, viagens ou competições, alcançar um suposto “corpo ideal” ou compensar períodos de alimentação inadequada e sedentarismo.

Quando existe obesidade, a farmacoterapia pode fazer parte do tratamento. Mas ela deve entrar dentro de uma estratégia mais ampla, que inclui acompanhamento de saúde, alimentação adequada, atividade física e avaliação das necessidades de cada paciente.

Produtos sem procedência aumentam o perigo

Outro ponto destacado pela SBP é a compra de canetas de origem desconhecida, importadas irregularmente ou sem registro sanitário no Brasil.

Nesses casos, o risco não se limita aos efeitos conhecidos do princípio ativo. Não há garantia de composição, concentração, armazenamento ou mesmo de que a substância informada no rótulo corresponda ao conteúdo da caneta.

A Anvisa já determinou a apreensão de produtos dessa categoria sem registro sanitário e reforça que medicamentos agonistas de GLP-1 devem ser utilizados dentro das indicações aprovadas e sob acompanhamento profissional.

Desde junho de 2025, a venda dessa classe de medicamentos no Brasil está sujeita à retenção da receita. A prescrição deve ser feita em duas vias e tem validade de até 90 dias.

O aumento do controle acompanha uma preocupação que cresce à medida que as canetas se tornam mais conhecidas: medicamentos capazes de contribuir para o tratamento de doenças não são produtos de uso livre — e menos ainda ferramentas para perseguir padrões de beleza.

Na infância e na adolescência, essa diferença pode ser decisiva.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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