Mais de 90% dos municípios brasileiros já registraram algum tipo de desastre relacionado à água. Segundo levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), 5.097 das 5.570 cidades do país foram atingidas por ocorrências como secas, inundações, alagamentos, enxurradas, tempestades e deslizamentos entre 1991 e 2024.
O estudo analisou cerca de 60 mil registros oficiais ao longo de mais de três décadas e mostra que os eventos extremos estão presentes em praticamente todas as regiões do Brasil.
Nesse período, aproximadamente 129,8 milhões de pessoas foram afetadas. O levantamento também contabiliza 4.774 mortes, mais de 3 mil desaparecidos e prejuízos econômicos superiores a R$ 740 bilhões.
A seca aparece como o desastre mais frequente, responsável por 53,6% dos registros e por mais da metade das perdas econômicas. Os efeitos atingem principalmente a agricultura, a pecuária, os reservatórios e o abastecimento de água.
Já as inundações concentram o maior número de mortes. Mais de 2,6 mil óbitos foram associados a esse tipo de ocorrência no período analisado. Enxurradas e deslizamentos também representam grande risco, especialmente em áreas urbanas densamente ocupadas e em comunidades instaladas em encostas ou próximas a rios.
Impactos mudam de uma região para outra
No Nordeste, a seca está entre os principais problemas climáticos. No Sudeste, enchentes, alagamentos e deslizamentos aparecem com maior impacto sobre a população.
No Sul, os municípios convivem tanto com períodos de estiagem quanto com grandes inundações. Já as regiões Norte e Centro-Oeste enfrentam episódios de cheias, tempestades e enxurradas.
O levantamento também chama atenção para a necessidade de melhorar a prevenção. Cerca de 1.660 municípios ainda não contam com uma estrutura organizada de Defesa Civil.
Para especialistas, reduzir os impactos dos eventos extremos depende de medidas como planejamento urbano, melhoria da drenagem, monitoramento de áreas de risco, sistemas de alerta e preparação das equipes locais para situações de emergência.
Os números mostram que secas e chuvas intensas deixaram de ser problemas restritos a determinadas regiões. Com mais de nove em cada dez municípios já atingidos, o clima extremo passou a fazer parte da realidade de praticamente todo o país.
*Da Agência Fonte Exclusiva







