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MPSP pede indenização de R$ 240 milhões por coleta de íris em São Paulo

Ação contra responsável pelo World ID e empresa do grupo Amazon questiona pagamentos, consentimento e armazenamento de dados biométricos.

redacao Por redacao
22/07/2026 - 12:56
em Brasil
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Ministério Público de São Paulo pede indenização de R$ 240 milhões e suspensão da coleta remunerada de íris pelo projeto World ID.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

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A coleta remunerada de dados biométricos de mais de 400 mil moradores de São Paulo chegou à Justiça.

O Ministério Público estadual ajuizou uma ação civil pública contra a Tools for Humanity Corporation, responsável pelo projeto World ID, e a Amazon AWS Serviços Brasil Ltda., sob a suspeita de irregularidades no tratamento e no armazenamento das informações.

Apresentada nesta segunda-feira (21), a ação pede o pagamento de pelo menos R$ 240 milhões por danos morais coletivos. A promotoria também solicita indenizações individuais para consumidores que eventualmente tenham sido prejudicados.

De acordo com o MPSP, os participantes tiveram a íris escaneada em troca de recompensas que variavam entre R$ 300 e R$ 700. Os atendimentos teriam ocorrido principalmente em regiões periféricas e áreas de intensa circulação, como pontos próximos a estações de metrô e unidades do Poupatempo.

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A promotora Patrícia Leitão argumenta que a oferta de dinheiro pode ter influenciado a decisão dos participantes, especialmente daqueles em situação de vulnerabilidade econômica.

Consentimento é questionado

O Ministério Público considera que existem indícios de exploração da vulnerabilidade dos consumidores, publicidade enganosa e falhas na obtenção de uma autorização livre e consciente para o uso dos dados.

Segundo a ação, as pessoas não teriam recebido informações suficientemente claras sobre os objetivos econômicos do projeto, os riscos associados ao tratamento da biometria, a transferência internacional dos registros e os locais em que o material seria armazenado.

A íris é classificada como dado pessoal sensível pela Lei Geral de Proteção de Dados. Por ser uma característica única e permanente, não pode ser alterada como ocorre com uma senha em caso de vazamento ou utilização indevida.

Coletas podem ser suspensas

Em pedido liminar, a promotoria solicita a interrupção de novas coletas realizadas em troca de dinheiro, criptomoedas ou qualquer outro tipo de vantagem até a conclusão de uma perícia judicial.

Também é requerida a preservação de todos os dados, documentos, registros e metadados relacionados às operações do World ID.

As empresas deverão, caso a Justiça aceite o pedido, apresentar contratos, relatórios técnicos e informações detalhadas sobre o processamento e a hospedagem das informações biométricas.

Um dos objetivos é identificar qual companhia ligada ao grupo Amazon teria armazenado os dados e esclarecer se foram utilizados servidores da Amazon Web Services.

MP pede exclusão das informações

Na decisão final, o Ministério Público pretende obter o reconhecimento da abusividade das práticas e impedir definitivamente a oferta de recompensas pela coleta da íris.

Caso as irregularidades sejam comprovadas, a ação também pede a eliminação permanente das informações já reunidas.

Antes da exclusão, no entanto, todo o material deverá permanecer preservado para permitir a realização da perícia e a reconstrução do caminho percorrido pelos dados.

O MPSP afirma ainda que incentivos teriam permanecido disponíveis no aplicativo World App mesmo após a Autoridade Nacional de Proteção de Dados determinar o fim das compensações associadas à criação do World ID.

Segundo a ação, a ANPD concluiu que o pagamento em dinheiro ou criptomoedas poderia comprometer a liberdade do consentimento. A proibição foi mantida porque as mudanças apresentadas pela empresa não teriam separado de forma suficiente a recompensa da coleta biométrica.

CPI deu origem à apuração

A ação civil pública foi baseada no relatório final da CPI da Íris, criada pela Câmara Municipal de São Paulo para investigar a atuação do projeto na capital.

A comissão analisou a instalação dos pontos de atendimento e identificou presença relevante em áreas frequentadas por consumidores com menor poder econômico.

O sistema utiliza aparelhos chamados Orbs para realizar o escaneamento e gerar uma identidade digital conhecida como World ID. A ferramenta é apresentada como um meio de diferenciar pessoas reais de sistemas automatizados na internet.

A Justiça deverá avaliar se a autorização dos participantes foi realmente livre e informada, além de definir o grau de responsabilidade de cada empresa na coleta, no processamento e na guarda das informações.

A ação ainda será julgada. As suspeitas apresentadas pelo Ministério Público não equivalem a uma condenação definitiva das companhias.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #AmazonAWS#DadosBiométricos#DireitoDoConsumidor#Íris#LGPD#MPSP#ProteçãoDeDados#SãoPaulo#WorldApp#WorldID
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