A Polícia Federal prendeu em flagrante o ex-prefeito de Belford Roxo e presidente do União Brasil no Rio de Janeiro, Márcio Canella, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada no estado do Rio. A prisão ocorreu após os agentes encontrarem um fuzil calibre 5.56 dentro de um veículo ligado ao político. O armamento é de calibre restrito, e a prisão foi registrada por posse ou porte irregular de arma de uso restrito, segundo informações divulgadas pela imprensa nacional.
A operação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam a possível participação de agentes públicos no esquema. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, indicou movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos por empresas ligadas ao grupo investigado.
Ao todo, foram expedidos 19 mandados de busca e apreensão. As ações ocorreram na cidade do Rio de Janeiro e em municípios como Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. A investigação mira suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal.
Entre os alvos da nova fase também está o delegado Marcus Amin, ex-secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A presença de agentes públicos entre os investigados levou a Corregedoria-Geral da Polícia Civil a abrir apuração disciplinar para analisar a conduta de policiais citados no caso, segundo informações publicadas sobre a operação.
Márcio Canella é uma das principais lideranças políticas da Baixada Fluminense. Ex-prefeito de Belford Roxo, ele também vinha sendo apontado como nome no cenário eleitoral de 2026 no Rio de Janeiro. Na investigação, Canella é citado como possível braço político do grupo suspeito de utilizar postos de combustíveis para movimentação financeira ilícita.
A apreensão do fuzil deu novo peso à operação. O calibre 5.56 é associado a armamentos de uso restrito e não se enquadra como arma comum de defesa pessoal. A defesa de Canella deverá apresentar explicações sobre a origem, a posse e a autorização do armamento encontrado no veículo.
A Operação Unha e Carne já teve outras fases recentes no Rio de Janeiro e investiga a relação entre empresários, agentes públicos, atividades econômicas e possíveis organizações criminosas. Nesta sexta fase, o foco está na suspeita de que postos de combustíveis tenham sido usados para lavar dinheiro e dar aparência legal a recursos de origem ilícita.
O caso também reacende o debate sobre a influência de grupos econômicos e estruturas de poder local na política da Baixada Fluminense. A região tem histórico de disputas intensas, violência política e forte presença de redes de influência ligadas ao controle territorial, econômico e eleitoral. No texto-base usado para esta matéria, o tema é contextualizado a partir da trajetória política da Baixada e de episódios históricos envolvendo poder local, armas, clientelismo e violência.
Apesar da prisão em flagrante pelo armamento, as suspeitas de lavagem de dinheiro ainda dependem do avanço da investigação e de eventual manifestação do Ministério Público e da Justiça. Os investigados só podem ser considerados culpados após decisão judicial definitiva.
*Da Agência Fonte Exclusiva







