O funcionalismo público de Campos dos Goytacazes (RJ), no Norte Fluminense, começou a semana com uma sinalização aguardada há anos: a retomada de um ciclo de recomposição salarial. O prefeito Frederico Paes (MDB) anunciou o envio à Câmara Municipal do projeto que concede reajuste de 4,26% aos servidores do município. A proposta foi aprovada pelos vereadores nesta terça-feira (30), na mesma sessão em que também passou a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027.
O índice aprovado corresponde à recomposição salarial dos vencimentos e representa, na prática, um alívio para uma categoria que vinha acumulando cobranças por valorização, previsibilidade e recuperação de perdas. Segundo informações divulgadas sobre a votação, o reajuste contempla servidores efetivos ativos, aposentados, pensionistas, contratados temporários, ocupantes de cargos comissionados, funções gratificadas e conselheiros tutelares, com efeitos retroativos a 1º de maio.
O anúncio foi feito por Frederico Paes ao lado de vereadores da base governista. O presidente da Câmara, Fred Rangel (PP), havia sinalizado que a matéria deveria ser aprovada ainda nesta semana. A votação acabou ocorrendo no mesmo dia, com aprovação por unanimidade, encerrando o semestre legislativo antes do recesso parlamentar.
Além da recomposição, a Prefeitura também quitou a folha de pagamento referente ao mês de junho e depositou a primeira parcela do 13º salário dos servidores. O calendário oficial de 2026 já previa o pagamento das duas parcelas do 13º em junho e dezembro, mantendo uma política de pagamento dentro do cronograma anual do município.
A medida tem peso político e administrativo. Campos possui uma das maiores folhas do interior do estado, com mais de 30 mil trabalhadores entre servidores da ativa, aposentados, pensionistas, comissionados, estagiários, conselheiros tutelares e prestadores de serviço, segundo dados divulgados pela própria Prefeitura no calendário de pagamento de 2026.
Nova fase de negociação
Embora o percentual não encerre a discussão sobre as perdas acumuladas ao longo dos últimos anos, a aprovação do reajuste abre uma nova fase de negociação entre o governo municipal e o funcionalismo. Para entidades representativas da categoria, o desafio segue sendo a construção de uma política permanente de valorização, capaz de recompor perdas salariais, garantir direitos e melhorar as condições de trabalho no serviço público.
O tema também carrega forte simbolismo político. A recomposição ocorre após um período de desgaste entre servidores e gestões anteriores, especialmente diante da cobrança por recuperação salarial e estabilidade nos direitos da categoria. Em 2023, ainda na gestão Wladimir Garotinho, a Prefeitura anunciou reajuste escalonado que somava 10,4%, depois de anos sem dissídio coletivo; à época, o próprio município informou que o último reajuste geral anterior havia ocorrido em 2016.
Na avaliação de servidores ouvidos pela reportagem, a nova recomposição não resolve todo o passivo, mas representa uma mudança de postura institucional. A expectativa agora recai sobre os próximos passos da administração Frederico Paes: se o reajuste será tratado como medida isolada ou como ponto de partida para uma agenda mais ampla de valorização do funcionalismo.
A aprovação da LDO 2027, no mesmo pacote de votações, também coloca a política salarial dentro de um debate maior sobre planejamento orçamentário. A legislação orienta as prioridades fiscais do município para o próximo ano e projeta uma arrecadação próxima de R$ 3 bilhões, valor que servirá de base para a elaboração do orçamento municipal.
Com a recomposição aprovada, Frederico Paes tenta marcar posição logo no início de sua gestão, associando o discurso de responsabilidade fiscal à valorização do servidor. Para o funcionalismo, no entanto, o reajuste de 4,26% deve ser visto como o primeiro passo de uma pauta maior, que ainda inclui carreira, condições de trabalho, perdas acumuladas e diálogo permanente com as categorias.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








