A política fluminense entrou oficialmente em clima de pré-campanha para as eleições de 2026. E em Campos dos Goytacazes (RJ), no Norte Fluminense, um movimento aparentemente simples do prefeito Frederico Paes (MDB) provocou uma onda de especulações que ultrapassa as fronteiras do município.
A participação de Frederico em um evento ao lado de Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, gerou ruídos importantes dentro do tabuleiro político regional. Isso porque o prefeito campista construiu sua trajetória recente em estreita sintonia com o grupo liderado pelo ex-governador Anthony Garotinho, que também trabalha para viabilizar seu projeto eleitoral para o Palácio Guanabara.
A presença dos dois prefeitos no mesmo palco chamou a atenção não apenas pelo simbolismo político, mas pelo contexto. Durante o encontro, Eduardo Paes apresentou propostas para a região Norte Fluminense e fez críticas diretas ao grupo político adversário, incluindo referências ao ex-governador Anthony Garotinho.
O episódio colocou Frederico em uma posição delicada.
De um lado, está a aliança histórica com os Garotinho, grupo que teve papel importante em sua caminhada política. Do outro, surge a realidade partidária. Filiado ao MDB, Frederico integra uma legenda que caminha para compor a chapa de Eduardo Paes nas eleições estaduais, inclusive com a possibilidade de indicar o candidato a vice-governador.
A questão que domina os bastidores é simples: até onde será possível manter os pés em dois barcos que seguem em direções opostas?
Embora a política seja conhecida por suas composições pragmáticas, há personagens que tradicionalmente não aceitam ambiguidades. Anthony Garotinho sempre construiu sua liderança com base na lealdade de seus aliados e dificilmente costuma tolerar movimentos que possam ser interpretados como aproximação excessiva de adversários políticos.
Por isso, o encontro em Campos gerou mais do que fotografias. Produziu sinais.
Sinais observados atentamente por lideranças estaduais, vereadores, deputados e grupos políticos que já iniciaram os cálculos para o cenário eleitoral de 2026.
Frederico Paes tenta demonstrar capacidade de diálogo e articulação institucional, algo natural para quem administra uma das principais cidades do interior fluminense. Entretanto, a leitura política vai além da gestão pública. No ambiente eleitoral, gestos têm peso, imagens possuem significado e presenças em determinados eventos raramente são consideradas neutras.
O que hoje parece apenas um ruído pode evoluir para uma definição estratégica nos próximos meses.
Se Eduardo Paes consolidar sua candidatura ao governo e o MDB confirmar sua participação no projeto, a pressão sobre Frederico tende a aumentar. Da mesma forma, caso Garotinho fortaleça sua pré-candidatura, o prefeito de Campos será cobrado a demonstrar de forma mais clara qual lado pretende ocupar na disputa.
Por enquanto, Frederico Paes busca manter pontes abertas. Mas, como ensina a própria história da política fluminense, chega um momento em que a neutralidade deixa de ser uma opção.
E esse momento pode estar se aproximando.
VÍDEO: Assista análise completa exibida no programa Direto da Redação sobre os bastidores da relação entre Frederico Paes, Anthony Garotinho e Eduardo Paes e os impactos dessa movimentação para as eleições de 2026.







